Sobre infância!

sábado, 28 de setembro de 2013

"(...) a infância de Geraldo Viramundo transcorreu como a de seus irmãos. Como seus irmãos ele comeu terra, botou lombrigas, arrebentou cupim para ver como era dentro, seguiu as formigas para ver aonde iam, misturou açúcar com sal no armazém, furtou garrafa de guaraná e depois mijou dentro botando no lugar para o pai não descobrir, brincou com fogo e mijou na cama, brincou de pegador, tic-tac carambola, este dentro e este fora, matou passarinho com bodoque, enterrou ovo choco e fez fogo em cima para ver se nascia pinto, foi mordido de marimbondo e ficou de cara inchada, amarrou lata vazia em rabo de gato, fez galinha dançar em cima de lata quente, contou com o ovo no rabo da galinha, enfiou o dedo no rabo dela, teve sarampo, catapora, caxumba e coqueluche, pegou sarna para se coçar, correu de boi bravo, botou cigarro na boca de sapo para ele fumar até rebentar, se escondeu na cesta de roupa suja para ver a irmã mais velha tomar banho, quis pegar a irmã mais nova e depois teve remorso, perdeu a virgindade numa cabrita, fugiu de casa e apanhou e por isso tornou a fugir e por isso tornou a apanhar, construiu casinhas de barro, caiu da árvore e se machucou, comeu manga com leite e adoeceu, contou as estrelas do céu e ficou com berrugas, pegou carona em caminhão, aprendeu a ler na escola, fez do travesseiro o corpo da professora, teve medo do João Carangola que fugiu da prisão e gostava de menino, assobiou e chupou cana ao mesmo tempo, fumou cigarro de chuchu, fez coleção de favas, foi à missa aos domingos, assistiu fita de Tom Mix, Buck Jones e Carlito no cineminha da cidade, apanhou bicho-de-pé, pisou em urina de cavalo e ficou com mijacão, armou arapuca no mato, jogou futebol com bola de meia, teve dor de dente de noite, foi coroinha na igreja, contou quantas vezes fazia coisa feia para se lembrar na confissão, procurou não mastigar a hóstia para que não saísse sangue, fez flautinha de bambu, ficou preso pela piroca num gargalo de garrafa, molhou o pijama de noite e teve medo de estar doente, ficou com pedra na maminha e perguntou à mãe o que era, se apaixonou pela filha mais velha dos italianos do empório, tirou o cavalinho da chuva, pensou na morte da bezerra, chorou escondido, teve medo, descobriu que o céu era imenso, teve vontade de morrer, ficou acordado de madrugada ouvindo o galo cantar sem saber onde, sentiu dores nos culhões, comeu a negra Adelaide e virou homem."

(Trecho de "O Grande Mentecapto", Fernando Sabino) - em homenagem a Cosme e Damião, um trecho muito bonito sobre uma infância de verdade, coisa rara hoje em dia!!!




Paisagem XXV - Apocalipse

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

É manhã. Os viciados acordam junto com a cidade para começar a sua peregrinação até o local de encontro, atrás da estação de trem. Se você me disser que haverá o apocalipse, e que os mortos caminharão sobre a terra, eu acreditarei, pois é o que vejo todos os dias da janela do trem. Se você disser que há uma cura, eu também acreditarei, pois tenho fé. Os zumbis perambulam sem destino e sem futuro. Não! Espere! Há futuro: a morte certa. Mas qual de nós não está fadado a este fim? A diferença é o percurso que escolhemos até a chegada da Indesejada das gentes. Só isso, nada mais.


Relógios

quinta-feira, 12 de setembro de 2013


O relógio soa a hora do rush
a hora do almoço
a hora do jantar
tic tac
é hora de ir embora
é hora de comer
é hora de dormir
tic tac
é hora de amar
é hora de brigar
é hora de se acertar
tic tac
é hora do rush
é hora de apertar
o relógio soa
o rosto sua
tic tac
é hora de surtar
é hora de jogar
este relógio contra a parede
tic tac
é hora de se libertar.

(Priscila Mondschein)


Mais poesia nas suas tardes!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Se você gosta de poesia e adora passar horas no Facebook, nós temos um convite pra você! 
Curta a página Tarde em versos e receba, todas as tardes, versos e poemas selecionados com o único intuito de trazer mais poesia às nossas tardes, seja no trabalho ou em casa!

O Tarde em versos é um projeto coordenado por mim, pela Giovanna, que escreve no Silence Reports, e pelo Ricardo Santana!


Vejo vocês por lá! ;)

 
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