"(...) já eu quisera no límen do milênio
número três testar noutro sistema
minha agnose firmado no convênio
que a nova cosmofísica por tema
estatuiu: a explosão primeva o big-
-bang - quiçá desenigme-se o dilema!
quem à mundana máquina se ligue
já não há: o cosmólogo "ruído
de fundo" diz - irradiação repique
do primigênio estrondo do inouvido
explodir que arremessa pó de estrelas
fervente caldo cósmico expandido
feito de fogo líquido ou daquelas
cristalfluidas nonadas comburentes
a resolver-se em sopa de parcelas
espaço afora centelhando irruentes:
ninguém fala hoje em dia em maquinária
do mundo concentrando continentes (...)"
(Haroldo de Campos - A máquina do mundo repensada)
Das máquinas!
quarta-feira, 3 de abril de 2013
domingo, 24 de março de 2013
O guardador de ossos passa com seu carrinho.
Pelo caminho, vai recolhendo os últimos vestígios
de que um dia, ali, também houvera vida.
O carrinho lotado segue.
Carcaças de gado,
secas como o sol,
secas pelo sol.
O guardador de ossos recolhe o que antes fora um bezerro.
A carcaça seca sobre a terra seca,
e no céu, o azul reina como infinito que só ele o é.
O guardador de ossos seca o suor do corpo quase seco.
Os olhos secos,
os pés secos,
a terra seca.
O guardador de ossos, em silêncio, respeita a carcaça seca.
Ele pensa, enquanto recolhe.
Ele reza, enquanto se seca.
Ele pensa e reza para que, um dia, também recolham a sua carcaça seca.
sábado, 16 de março de 2013
It it makes you happy,
then why the hell are you so sad???
then why the hell are you so sad???
terça-feira, 12 de março de 2013
Duas pessoas aparentemente juntas.
Duas pessoas juntas, lado a lado.
Ouço música, baixinho, vinda do banco da frente.
Não, não há duas pessoas, uma está ausente.
Duas pessoas juntas, lado a lado no banco: estão juntas mas não estão juntas.
Ouço um murmúrio de uma delas, a outra tira do ouvido o fone.
Duas pessoas juntas que não estão juntas: um fone de ouvido as separa.
Eu estou presente, sentada no banco detrás.
Das duas pessoas juntas, sentadas lado a lado, uma está ausente.
Chega a estação e as duas pessoas descem: uma delas não está presente.
Duas pessoas juntas, lado a lado.
Ouço música, baixinho, vinda do banco da frente.
Não, não há duas pessoas, uma está ausente.
Duas pessoas juntas, lado a lado no banco: estão juntas mas não estão juntas.
Ouço um murmúrio de uma delas, a outra tira do ouvido o fone.
Duas pessoas juntas que não estão juntas: um fone de ouvido as separa.
Eu estou presente, sentada no banco detrás.
Das duas pessoas juntas, sentadas lado a lado, uma está ausente.
Chega a estação e as duas pessoas descem: uma delas não está presente.
domingo, 10 de março de 2013
Hoje acordei negativa. Levantei-me com o pé esquerdo, canhota que sou, e decidi sobre as várias coisas que NÃO aconteceriam em meu dia. Porque nem todas as negativas devem ser ruins. O não expressa a falta de vontade, a falta de desejo, a falta de permissão. O não preconceito, a não violência, a não ignorância. O não à corrupção, o não à impunidade, o não às mentiras. O não, assim como o sim, possui significado essencial para compor o nosso dia. Hoje eu acordei negativa e decidi que não haverá mau-humor, não haverá ilusão e não haverá cansaço! Não! Não haverá mentira e não haverá omissão! Por que? Porque eu decidi que NÃO!
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Refletindo com Viriato Sampaio
Tenho uma infinidade de ótimas estórias para contar aos filhos que não sei se terei e que a sociedade me cobra. O peso da idade não é tão grande quanto o da opinião dos outros, meu inferno pessoal e intransferível. As coisas que vi e não contei a ninguém se perderão quando eu também não estiver mais aqui. Os segredos estarão salvos. Mas estes são os pesos que transformo em leveza no auge de minha independência e estilo de ser. Se há um preço a ser pago pela leveza almejada durante a vida, eis o meu maior investimento.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Há dias em que a única coisa a se fazer para aliviar o peso do mundo que colocamos sobre as nossas próprias costas é se levantar e apanhar uma cerveja na geladeira...
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Por que é tão difícil lidar com a leveza e a efemeridade da vida? O peso da morte, que sugere libertação, remete paradoxalmente à leveza e paira sobre nossos ombros como um fardo insuportável que envega os joelhos e produz um mar de lágrimas. Por que a leveza da vida traz alegria e, ao mesmo tempo, angústia e dor e perdas? É tão difícil viver e manter o equilíbrio em relação à leveza e ao peso... E a pluma e a pedra, jogadas simultaneamente do topo de minha vida caem juntas, acertando violentamente as minhas bases, desestruturando-me.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
A frase escrita em um alemão perfeito em gramática e significado remete ao toque desajeitado do amante europeu.
O poema quente na próxima página está repleto de lembranças do amante de longe, que poderia ter sido, mas [que ainda] não foi.
O amante de olhos amendoados que me espreitam e que também são por mim procurados, vez em quando, escrevem a próxima página que está por vir, ainda um mistério, ainda uma história sendo tecida em algum lugar, algum tempo, não tão distante...
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Em cartaz no Teatro do MASP - São Paulo
"A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam." (Auguste Rodin)
Esta citação foi retirada do link http://www.ronaud.com/frases-pensamentos-citacoes-de/auguste-rodin, e faz parte do roteiro da peça.
"A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam." (Auguste Rodin)
Esta citação foi retirada do link http://www.ronaud.com/frases-pensamentos-citacoes-de/auguste-rodin, e faz parte do roteiro da peça.
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