Sobre madrugadas

terça-feira, 26 de janeiro de 2010


Foto: Ana Filipa - olhares.com

"Estou sentindo o martírio de uma importuna sensualidade. De madrugada acordo cheia de frutos. Quem virá colher os frutos de minha vida?"
(Clarice Lispector)


Interagindo

domingo, 24 de janeiro de 2010

Numa noite dessas, voltando para casa, sentou-se ao meu lado, no ônibus, um bêbado. Odeio bêbados. Odeio que se aproximem de mim. Odeio, mais ainda, quando sentam ao meu lado no ônibus. Odeio, três vezes mais, quando querem interagir. Mas esse eu não odiei. Era já um senhor, bem arrumado, que começou a interagir comigo dizendo que a vida era um tabuleiro de xadrez. Curiosa para ver onde essa comparação ia dar, deixei o homem continuar o raciocínio. "A vida é um jogo de xadrez, você move as peças, mas não sabe o que pode acontecer, e, no fim, acaba perdendo". Como eu olhava para ele, mostrando atenção e sorrindo, disse-me que era músico, e que tentara passar as mensagens através de suas músicas, mas que hoje não era ninguém. Disse-me que a última mensagem a gente nunca diz.

Um bêbado filósofo, vejam só. Ele balbuciava algo sobre o curso de Direito e sobre intelectuais. Provavelmente abandonou a música para estudar direito, e ambos não deram certo. Ouvia-se decepção em sua voz. E eu o entendi. Realmente, a vida não passa de um jogo de xadrez, cheio de estratégias. Você move uma peça, e espera para ver no que vai dar. O próximo passo pode ser um xeque-mate, quem sabe. Mas e as mensagens, qual será a última mensagem?

Plenitude

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Estava, naquele momento, tomado por um sentimento de plenitude, algo extraordinariamente maior que sua própria constituição física, e o melhor de tudo é que não sabia a sua origem. Como chegara e este estado? - Estacou, pensativo, em meio à calçada. 

Grandezas

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

 
Estou com uma enorme sensação de eternidade...




O que você vê???

domingo, 17 de janeiro de 2010


(    ) flores;
(    ) só borboletas, nada especial;
(    ) metamorfoses, como o verde pode se tornar azul;
(    ) um manto azul;
(    ) uma festa na casa da árvore
( X ) vejo um bosque, árvores, um jardim imenso e colorido, borboletas azuis sob a sombra de um gigantesco jacarandá.

Veja além...

Problemas

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010


Eu tenho um problema muito sério: gosto de arrancar cascas de machucados que estão cicatrizando. Eu cuido, cuido e cuido, mas, quando já está quase sarando, eu vou lá e arranco.
Faço isso quando passo tempo demais admirando uma foto na gaveta, ou quando converso com pessoas queridas, mas faço, principalmente, quando atravesso pontos de ônibus...

Sobre ontem e hoje

terça-feira, 12 de janeiro de 2010


Hoje precisei comprar uns DVDs no bazar que fica no bairro vizinho ao meu, lugar onde morei por cerca de 10 anos. Eu frequentava sempre este bazar porque as prateleiras eram repletas de brinquedinhos de meninas, pendurados à mostra para despertar o nosso desejo. O bazar tinha de tudo, e, ainda hoje, sempre que preciso de algo, desde um botão verde musgo nº 20 fosco, até uma mídia de DVD para gravação, encontro neste bazar. Porém, o que me encantou e fez-me escrever este post foi o caderninho de pendências. Como foi difícil acreditar que, em pleno século XXI, ano de 2010, ainda se usem caderninhos de pendências. A dona do bazar, lá pelos seus 80 anos, anotava as comprar de uma moça 3 vezes mais jovem que ela, com uma letra linda, de quem não precisou adaptar os dedos ao teclado de um computador, e nem faz a menor questão. Ela também dispensou a calculadora, e o cálculo das compras foi feito "de cabeça", incluindo a divisão para o parcelamento em 3 vezes.

Percebem, caros leitores, como algumas coisas evoluem sem parar, em ritmo alucinante, e outras simplesmente param, e permanecem, tranquilas, sem se preocupar com a correria que se instaura em nosso tempo?

Da janela

sábado, 9 de janeiro de 2010


Encostou a cabeça à janela sem se importar com o balanço desconfortável. Os olhos lacrimejantes. Do lado de fora, a menina que não sabia que as pessoas grandes ficam tristes, às vezes, ficou a olhá-la com expressão de dúvida. Não a viu, assim como os outros, de dentro do ônibus, também não lhe notaram. Até o momento da partida, eram três imagens numa moldura empoeirada: ela, a menina, e olhos lacrimejantes.

Sobre futuros

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010



O meu maior desejo é o de um dia acordar!

Talvez eu já esteja prestes a fazê-lo, porém, ainda há uma grande barreira a ser transposta: o medo.

Microconto

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Você já tinha ouvido falar em "microconto"? Pois é, eu não tinha! A primeira vez que me surgiu este termo foi relacionado ao twitter. Como eu não gosto de twitter, achei interessante o conceito de microconto como algo útil e realmente aproveitável dentro deste mundo do "microblog". Interessante é que há vários sites, blogs e escritores que também escrevem este tipo de texto, há um tempo, inclusive. Até a Wikipédia já possui definição de microconto!
A idéia é simples e prática, e o objetivo é o mesmo que o do conto normal: prender a atenção do leitor em um texto que nada mais é do que o recorte de um momento em uma história.

E olha que não deve ser nada fácil...

As Mil Almas decidiram que também querem escrever microcontos, então a gente escreve e publica, mas só de vez em quando... ;)


 
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