Inutilidades

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ouça, Virgínia, é preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas. Este céu que nem promete chuva. Aquela estrelinha que está nascendo ali... Está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os Reis Magos, nem os pastores, nem os marinheiros. Não fez nada. Apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a Beleza. No inútil está Deus.

Virgínia apertou o ramo de rosas contra o peito. Inútil é o amor que eu tenho por você, quis dizer-lhe.
Não disse."

(Lygia Fagundes Telles - Ciranda de Pedra).

3 comentários:

Wilson Torres Nanini disse...

Priscila,

só tenho a agradecê-la pela oportunidade de ler Lygia mais um instante.

Vc escolheu mto bem o trecho do Ciranda, um dos melhores da literatura brasileira.

Abraços!

Prof. Irapuan Teixeira disse...

Ola Priscila, passeei pelo teu blog. Gosto de lê-lo. bjs.

Maria disse...

Das inutilidades necessárias e que nos trazem as mais belas surpresas...Apenas uma estrela solitária e inútil...

 
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