#70

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Só pra completar a postagem nr. 70 do ano ;)


Último - balanço anual

2012 começou com muitos planos e projetos, que foram ficando para trás, inacabados pelos mais diversos motivos, e que pretendo retomá-los em 2013, porque odeio coisas inacabadas!

Por outro lado, 2012 foi um ano de muito trabalho e várias viagens, que eu espero que se repitam em 2013! 

Aos que por aqui hoje passarem, desejo que o novo ano que se inicia seja repleto de muita paz, saúde, alegria, amor e realizações... e que sejamos seres humanos melhores que fomos em 2012, afinal, sempre há como melhorar!

Abraços, e feliz 2013!!!


Penúltimo - memória poética

sábado, 29 de dezembro de 2012

"Parece que existe no cérebro uma zona específica, que poderíamos chamar memória poética, que registra o que nos encantou, o que nos comoveu, o que dá beleza à nossa vida." 

("A insustentável leveza do ser" - Milan Kundera)

Este ano de 2012 pode não ter sido dos melhores, tanto para mim quanto para o leitor, mas sempre haverá algo de bom, algo retido por nossa memória poética. Pode ser algum acontecimento, uma fotografia, uma frase de uma pessoa, ou um livro. No meu caso, este livro ficou gravado em minha memória poética como uma das coisas mais lindas que já li, e que me tocaram de forma positiva. E, mais uma vez, percebi que o que dá beleza à minha vida é a justaposição das palavras, o amor aos textos bem escritos e a filosofia contida em cada uma das linhas (ou nas entrelinhas). Neste ano experimentei a leveza do ser, tão leve que faz com que a vida se esvaia com um sopro (o sopro da morte). Neste ano experimentei o peso das responsabilidades e anseios futuros, peso este que ainda continua pairando sobre a minha cabeça. Neste ano, também experimentei a leveza de me libertar de pessoas que não me trazem coisas boas (a leveza da liberdade). Desta forma, encerro o penúltimo post de 2012 com palavras escritas por mim e pelo Milan, desejando a todos um feliz ano novo e beleza e leveza às suas vidas, seja qual for a forma de beleza que lhes comova e a leveza que lhes seja necessária. 

"E se..."

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

"E se à meia-noite o sol raiar
E se o meu país for um jardim
E se eu convidá-la para dançar
E se ela ficar assim, assim
E se eu lhe entregar meu coração..."

("E se..." - Chico Buarque)



Feliz Natal, pessoal!!! :)

 

Na Estação Pinheiros

sábado, 22 de dezembro de 2012

A menininha na estação, de mãos dadas com a mãe, ficara chocada com a multidão que se espremia pelas minhocas rolantes da Estação Pinheiros do metrô. A mãe, então, lhe explicara que a multidão era feita de homens e mulheres que acordavam cedinho para ir ao trabalho; milhares de paulistas que, assim como o pai dela, ajudam a movimentar a grande máquina e fazem as engrenagens da cidade funcionar. A menina olhava, maravilhada, as voltas da minhoca rolante da Estação Pinheiros, acompanhando os heróis que subiam e desciam, heróis como o seu pai.


Das verdades!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"- Assim como existe na escrita uma verdade literal e uma verdade poética, também no ser humano existe uma anatomia literal e uma anatomia poética. Uma delas você pode ver; a outra não. Uma é feita de ossos, dentes e carne; a outra é feita de energia, memória e fé. Mas ambas são igualmente verdadeiras."

(trecho de Comer, rezar, amar)

Vontade de cantar!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

"Passo as tardes pensando
Faço as pazes tentando
Te telefonar
Cartazes te procurando
Aeronaves seguem pousando
Sem você desembarcar
Pra eu te dar a mão nessa hora
Levar as malas pro fusca lá fora?
E eu vou guiando
Eu te espero, vem?
Diga aonde vão seus pés,
Porque eu te sigo também."

(Luz dos olhos - Nando Reis)



Das poéticas

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A poética da cegueira está na sensibilidade das mãos que sentem a superfície, a textura, o movimento. Está no olhar longínquo que nada encontra, a não ser o vazio do infinito. O preto e o branco simbolizam luz e ausência de luz, segundo as leis da física. É também conforme as leis da física que o som atinge a velocidade suficiente para se sentir o vibrar das ondas. Das ondas do mar? Não. As ondas do pensamento são conexões e sinapses segundo as leis da neurociência e das coisas que eu não entendo. Tudo segundo determinadas leis. Tudo segundo a poética da existência das coisas. Tudo em perfeita harmonia com a poética das leis do Universo. Tudo infinitamente conectado.

Qual é a palavra?

sábado, 24 de novembro de 2012

"- Talvez você e Roma só tenham palavras diferentes.
- Como assim?
Ele disse:
- Você não sabe que o segredo para entender uma cidade e seus habitantes é aprender qual a palavra da rua?
Ele prosseguiu explicando, em uma mistura de inglês, italiano e gestos, que toda cidade tem uma única palavra que a define, que identifica a maioria das pessoas que mora ali. Se você pudesse ler o pensamento das pessoas que passam por você nas ruas de qualquer cidade, descobriria que a maioria delas está tendo o mesmo pensamento. Qualquer que seja esse pensamento da maioria - essa é a palavra da cidade. E, se a sua palavra pessoal não combinar com a palavra da cidade, então ali não é realmente o seu lugar.
- Qual é a palavra de Roma? - perguntei.
- SEXO - anunciou ele."


Wow! Trecho de "Comer, Rezar, Amar".

"Tenha fé".

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A baiana deu três nós na fitinha de Nosso Senhor do Bonfim que está no meu braço há 11 meses. Ela me disse assim, eu me lembro: "peça com fé, moça". E eu pedi com toda a fé que eu acredito que tenho. 

A outra moça me disse, dia desses, que fizera uma promessa, daquelas que não se pode comer algo que goste muito durante um ano. Ela mantém a promessa, com toda a fé que ela tem.

Uma outra moça, ainda ontem, me perguntara o que era fé, acreditando que não a tinha em quantidade suficiente. Mas o que poderia eu, pessoa incrédula, que questiona e nega e assim vai seguindo, sem saber onde tudo isso vai dar, responder a uma pergunta como esta? "Não sei. Só sei que, certa vez, uma baiana me disse para fazer um pedido com fé, e eu fiz" - respondi.


"Todas as mulheres de Tarantino!"

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Este artigo foi escrito por Jéssica Parizotto, retirado na íntegra do site Obvious! É muito interessante e trata de um dos meus cineastas favoritos, o Tarantino!

"As mulheres de Tarantino são vibrantes, fortes e estão armadas! Nada melhor que isso para curar um dia de TPM ou aliviar a vontade de exterminar os homens. A seguir, uma lista com algumas delas, para inspirar e promover a catarse!
Antes é preciso deixar claro que a lista a seguir é baseada unicamente no gosto pessoal desta que vos escreve, queridos leitores! Então esperem grandes doses de parcialidade.
Quentin Tarantino é antes de tudo um cinéfilo. Seus filmes são pop: fotografia extremamente colorida e saturada, trilha sonora excelente, atuações ótimas e aquele temperinho especial que fica por conta da metalinguagem, já que o diretor faz filmes sobre filmes.
Seus personagens são singelamente complexos: pessoas que poderíamos encontrar ao entrar em um McDonald’s da vida, mas que por outro lado guardam uma capacidade de argumentação (vide Jules de Pulp Fiction) que o deixariam sem palavras e provavelmente sem fome.
À primeira vista, os filmes de Tarantino podem parecer “coisa de macho”, mas não é bem assim. A violência é uma constante e isso pode afastar algumas mulheres, contudo, é preciso dar uma segunda chance às suas películas. Se todas as boas características que já citei não forem suficientes para convencer a ala feminina, apelo ao “girl power” que há dentro de todas nós e garanto: Tarantino é feminista.
Suas “mocinhas” são fortes, sabem usar armas (todas! naturais ou não) e mesmo assim conservam aquela feminilidade que nos capacita a matar com os olhos. Ao iniciar este artigo me propus fazer uma lista com essas mulheres de Tarantino. O título soará falso - não posso falar de todas elas - mas garanto que a essência está toda aqui:
1. Pulp Fiction
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Imagem de Pulp Fiction.

Quem é que consegue ouvir “You never can tell” de Chuck Berry e não querer decorar os passinhos encantadoramente desengonçados de Uma Thurman? Mia Wallace é uma personagem secundária da trama de Pulp Fiction, mas ela rouba a cena no encontro com Vincent Vega, o matador medroso interpretado por John Travolta. Mia pisa com o seu delicado pezinho (aliás, fetiche maior de Tarantino, podólatra assumido) sobre o coração inseguro de Vincent. A senhora Wallace é uma mulher multifacetada: toma milk shake e participa de concursos de danças e no momento seguinte precisa de uma injeção de adrenalina para sobreviver a uma overdose. Tudo isso, é claro, sem deixar de ser descaradamente sedutora.

2. Jackie Brown
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Imagem de Jackie Brown
Se em Pulp Fiction o diretor homenageou as revistas populares que recebiam o mesmo nome (pulp), em Jackie Brown ele se volta aos filmes do movimento Blaxploitation, realizados nos anos 70 por atores e diretores negros. Para isso ele contou com uma das principais atrizes desse movimento: Pam Grier, que teve sua carreira revitalizada através do filme de Tarantino. Nele, ela interpreta a aeromoça Jackie Brown, que de forma ardilosa passa todos os homens do filme para trás: o aliado apaixonado, os policiais e até o mafioso para quem trabalhava.

3. Kill Bill, volume 1 e 2
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Imagem de Kill Bill
Aqui temos a representante maior de todas as outras personagens femininas de Tarantino: Beatrix Kiddo ou A Noiva. Em Kill Bill, o diretor inaugura uma temática que vai permear vários dos seus outros filmes, a vingança. Uma mulher normal quando traída é um perigo, mas se a mulher em questão tem treinamento de samurai a coisa piora consideravelmente. Sem falar em instinto materno e no fato de que a disputa maior era com mulheres igualmente lindas e perigosas, coisa que, podemos confessar, as mulheres adoram!

4. Grindhouse: Death Proof
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Imagem de Death Proof
Este é, em minha opinião, o filme mais “mulherzinha” de Quentin Tarantino. Death Proof integra o projeto Grindhouse junto com Planet Terror, de Robert Rodriguez. A proposta foi fazer uma homenagem aos filmes de terror dos anos 1970, por isso as histórias são bastante trash. Neste filme temos duas narrativas, ambas estão interligadas através do personagem de Kurt Russell, Stuntman Mike. Na primeira história as amigas Julia, Shanna e Arlene são mulheres bonitas e independentes que saem para se divertir - até que cruzam o caminho do serial killer Mike. O resultado é uma cena muito trash de um acidente automobilístico entre o carro delas e o carro “à prova de morte” do dublê. Um corte temporal nos leva até as mulheres que vão colocar Mike no seu devido lugar: Abernathy, Kim, Lee e Zoe Bell (que se interpreta a si mesma). Zoe decide emprestar um carro para relembrar os tempos de dublê ao lado da amiga Kim, mas enquanto estava amarrada ao carro, o também dublê Mike aparece e quase causa a morte delas. O que ele não esperava era que elas fossem revidar - e revanchismo é o segundo nome das mulheres de Tarantino.

Há ainda outras mulheres que não coloquei na lista, todas interessantes e nervosas. Se a TPM bater, eu aconselho: nada de comédia romântica! Tarantino cura todos os sintomas!"




Reflexões de novembro... ou: o mês de finados... ou: querido diário...

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Dia de Todos os Mortos é em novembro.
O Dia de Finados também é em novembro.
Também é em novembro que meus fantasmas saem de seus esconderijos e assombram os meus dias, enquanto as noites permanecem tranquilas.
E isto é tudo o que eu não quero.
Também é em novembro que sinto mais saudades das coisas que eu não tenho, inclusive das que nunca terei.
Também é em novembro que anseio pelas coisas que ainda não fiz, e temo pelas coisas que nunca chegam.
E talvez este post melancólico devesse incluir mais um título, para completar o clima cinzento dos meus dias de novembro... Ou não, pois a gente bem sabe que as horas passam, os dias passam, a melancolia passa, e dezembro chega. Sempre chega.

Das declarações de amor II

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Às vezes, algumas das declarações de amor lançadas ao vento ou numa simples carta, mesmo que corretamente endereçada, se perdem, esvaem-se de significado, e tornam-se simplesmente um amontoado de palavras que um dia fizeram sentido para alguém...

Paisagem XXII - A Criança

sábado, 3 de novembro de 2012

Eis me aqui defronte à expressão mais pura de sinceridade, comparável à declaração de uma criança que, olhando em seus olhos, lhe diz que você é a pessoa mais bonita que ela já vira. Só que não há criança. E muito menos pureza. A expressão de sinceridade nasce de um momento de fraqueza e vulnerabilidade, degradação e humilhação, como um grito sufocado pela moral e pelos bons costumes do cidadão exemplar e respeitável. Afinal, é a isto que a sociedade nos submete: à "sufocação" constante de suas vontades e repressão total de seus desejos, e à alimentação de uma angústia sem fim, somada à insatisfação pessoal, emocional, profissional, do cidadão politicamente correto e solidário. E aquela criança sincera e pura vai definhando, criando cânceres, mágoas e esquizofrenias dentro de si, abraçando terapeutas dos mais picaretas e aproveitadores, até o final dos dias aos quais dão o nome de vida.

Do prefixo in.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Essa minha obsessão em buscar o inalcançável,
me apaixonar intensamente pelo inatingível
e desejar o intocável...

Falando sério!

sábado, 27 de outubro de 2012


Era pra ser mais uma sexta-feira normal na periferia onde moro, mas, graças aos noticiários sangrentos que assistimos todos os dias, que adoram esgotar até o talo casos de empresários esquartejados, crianças sequestradas e esquizofrênicos atiradores, a bola da vez foi um suposto “toque de recolher” que aconteceria nas cidades de Carapicuíba (onde moro) e Osasco (nossa vizinha!). 

A minha sexta-feira foi normal: eu tinha um compromisso e o cumpri, chegando em casa lá pelas 22:30. A dos outros já nem tanto... Hoje, sábado, a timeline do facebook tinha vários de posts de pessoas que ficaram em casa e que se diziam “reféns na própria casa”. À noite, na rua, tudo normal, a vida seguia. Ônibus lotados com trabalhadores (ou não) que voltavam pra casa, camelôs enchendo o saco na porta da estação, como sempre, etc. Peraí, minha gente, sem querer ser insensível, mas assassinatos acontecem todos os dias na Grande São Paulo. Eu conheci pelo menos uma pessoa que foi assassinada. Meu irmão conheceu. Meu vizinho conheceu. Nós vivemos cercados pela criminalidade. Por que o pânico e a histeria agora??? Por que passou na TV??? Qual é a diferença quando NÃO passa na TV???

Eu sei, esse post é horrível, mas é tão horrível quanto essa histeria coletiva nonsense. É tão horrível quanto esses noticiários que entopem a nossa TV aberta. É tão horrível quanto a sensação de insegurança ao voltar pra casa de madrugada, sozinha. E é tão horrível quanto ver que as pessoas não sabem o poder que elas têm, o poder de mudar tudo isso aí.

Nudez

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

De repente, ela se via nua diante do médico e diante do corpo falecido sobre a mesa. O médico, que fingia naturalidade, explicava os acontecimentos daquele dia tenso que resultara no cadáver que ali estava. E ele era sensível, o médico. Explicava com suavidade e delicadeza, para não sufocar a mulher que ali estava, parada, com o olhar disperso. Na tentativa desesperada de cobrir a sua nudez, a mulher apertava os lábios com força e respirava fundo, sentindo cada partícula de ar seguindo pelo seu corpo, ainda se lembrando da respiração forçada que ouvira durante o longo caminho até o hospital. Mas não adiantava. Uma veia saltava-lhe no rosto, os olhos vermelhos pareciam formar uma barreira que continha um choro desesperado, prestes a explodir, e era como se se despisse completamente, com toda a sua dor e seu ressentimento prontos a irromper. Mas ela já estava nua, descoberta e vulnerável diante do médico suave. O que lhe restava, então, além de tentar esboçar um sorriso, uma última tentativa de retomar as vestimentas jogadas pelo chão, e cumprimentar o médico suave que ali discursava sem parar, na esperança de acalmá-la e devolver-lhe a sensatez, a razão, e o mínimo de orgulho.

Post politicamente mal-humorado!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Palavras da candidata à prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, sobre em quem votará no segundo turno:

"Vou votar no Serra, claro, porque ele é o mais preparado."

Claro, também concordo, o Serra tá bem acostumado mesmo a fazer os Paulistas de IDIOTA!

Um dia eu ainda vou dar um soco na cara de quem reclama da lotação dos trens da CPTM ou que as escolas paulistas estão uma merda e votam no José Serra ou no Geraldo Alckmin! Sem mais.

Espelhos

sábado, 13 de outubro de 2012

Olhando para o espelho, no meio da noite, ela se reconhece. Há tempos que se escondia por detrás das coisas, dos lugares, das situações. Há tempos que não se via. Porém, olhando para o espelho naquela noite, ela se reconheceu. E, durante a prosa ao longo da noite mansa, a voz mansa, o pensamento afiado, ela foi reconhecida, como nunca achara que pudesse ser. E tudo lhe foi jogado assim, à queima-roupa, como uma verdade que ela achava que estava muito bem guardada, intocável. E ora, vejam só, não estava. O espelho que mostrara, até então, as marcas do rosto e do tempo, os cabelos despenteados, de repente revelava o que sempre estivera ali, e que ela achava que também escondia do espelho. A questão agora é como se pode viver assim, descoberta a partir de então, reconhecida, reconhecível, vulnerável. Olhando para o espelho ela ainda pensa. Pensa no que poderá acontecer daqui para a frente, diante dos próximos espelhos.

O que aconteceu quando a filosofia de Sartre cruzou com o pensamento baiano em plena Avenida Paulista

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A falta de sentido do título do post não pretende desmerecer a conversa "com muito sentido" que aconteceu na noite de sexta-feira com o companheiro blogueiro Sr. Viriato Sampaio, lá do Portão do Descanso, que tive o prazer de conhecer vindo diretamente da Bahia, e ainda meio perdido aqui na nossa querida selva de pedra, muito pelo contrário! Em meio à garoa da noite paulistana e o lanche muito bem servido e saboreado, discutimos poesia, literatura, trabalho, angústias, sonhos, enfim, sobre a vida e suas histórias. Também tive a satisfação de conhecer um pouco sobre o cenário cultural de Salvador, embora o soteropolitano tenha me mostrado que a Bahia ainda caminha a passos curtos neste sentido, enquanto ouvia a sua opinião sobre o caldeirão efervescente que é a nossa monstruosa São Paulo. Sempre costumo postar sobre os encontros que tenho com as pessoas da internet com as quais sempre converso e que, de uma forma ou de outra, só enriquecem o meu dia-a-dia e mostram que o mundo virtual é legal, mas trazer as pessoas para o mundo real é muito melhor. 

"O inferno são os outros". Ou não! Depende muito mais de você!!! 


Dos domingos vazios...

domingo, 7 de outubro de 2012

"Quando eu era estrela,
era inteira na mentira que eu dizia...
Ser o que não era 
convencia dentro da minha ilusão."

Sobre cidadãos e cidadania!





 Post no blog do Prof. Irapuan!
http://irapuanteixeira.blogspot.com.br/


Os Alpes... ah, os Alpes!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012


Sabem aquelas fotos lindas dos Alpes Suíços com neve no pico??? Então, é tudo photoshop!
Brincadeirinha!!!
Nossa viagem à Suíça passou rapidamente pela capital, Zurique, e nos levou à Lucerna, uma pequena e charmosa cidade banhada por lagos e rodeada pelos Alpes. Um dos meus objetivos na Suíça era uma bela foto dos Alpes, que não aconteceu, pois o tempo não estava lá essas maravilhas. Ora nuvens, ora neblina, e, no fim da viagem de 3 dias, eu não consegui a minha foto. 
Fizemos um passeio de barco de 2 horas pelo Lago de Lucerna, que valeu muito a pena! O passeio tranquilo proporciona paisagens maravilhosas: campos, casinhas típicas, a silhueta da cadeia dos Alpes se formando conforme o barquinho avança... Suíça, para mim, virou sinônimo de educação, organização e beleza. 



Paris... Ah, Paris!

sábado, 29 de setembro de 2012



Que a “Cidade Luz” é linda, ninguém pode negar, e não é só nos cartões postais, não! Fiz um roteiro de 3 dias e meio, e foi o suficiente apenas para conhecer os pontos mais famosos e ficar com gostinho de quero mais, para algum dia voltar e visitá-la com mais calma!

Não farei um resumo das atrações, porque já existem milhares de sites com roteiros completos e atrações. Vou colocar aqui o que me chamou a atenção na charmosa Paris, tanto em relação às coisas positivas quanto às negativas.

1. Prepare-se para a malhação: Paris não gosta de escadas rolantes, portanto, prepare-se para carregar suas malas pelas milhares de escadas dos metrôs parisienses! E eles gostam muito de escadas, de verdade. As estações de metrô têm muitas conexões, então, para se chegar de uma à outra, devemos subir e descer e subir e descer e subir novamente alguns degrauzinhos! As estações têm catracas com umas portas velhas de metal, e alguns passageiros entram logo após você, discretamente, para não pagar a passagem!

2. Crepes, ah, os crepes! São uma delícia. Coma!

3. Cuidado com os jardins do mal de Versailles: eles acabam com você. Passamos quase um dia inteiro em Versailles, e mais da metade dele foi nos jardins. São gigantes, infinitos, e tem show de águas em determinados horários na fonte maior, próxima ao castelo. Achei Versailles meio bagunçado, meio povão. Estava lotado e os funcionários não se importavam muito em manter a ordem, deixando o povo bem à vontade. Conhecemos uma brasileira que trabalha em uma das salas, muito simpática. Rendeu ótimas fotos e bolhas no pé: é lindo!

4. Louvre no primeiro domingo do mês: NOT. Se você gosta de arte, não vá ao Louvre no primeiro domingo do mês, porque ele é gratuito e vira um inferno. Fila quilométrica para entrar, hall lotado, tudo lotado, corredores cheios de pessoas tirando fotos ao lado dos quadros, gente filmando geral, crianças, galinhas correndo (brincadeirinha), só faltou cachorro! Eles dão um folheto contendo um mapa do museu, e especificando onde estão as principais obras e alas, como, por exemplo, a Monalisa.

5. A Monalisa: nem é tudo isso rsrsrs... brincadeirinha, é que eu achei que o quadro fosse maior. Na verdade, tinha tanta gente tirando foto da Mona, que quase não tinha como vê-la mesmo. Ela esta envolta num vidro, e há uma fita de proteção pra gente não se aproximar muito. Mas considero que posso morrer tranquila agora, pois, como admiradora de pinturas, vi uma das obras mais importantes do mundo!

6. A Torre Eiffel é linda. Mesmo sendo o ápice do clichê, já vale a ida a Paris. E o Arco do Triunfo também, claro. Como Paris tem muita coisa para ser vista/visitada, como catedrais, museus, galerias, ruas, etc, a viagem deve ser muito bem planejada, ou você acaba não aproveitando tanto do que essa cidade maravilhosa pode te proporcionar (como foi um pouco o meu caso ;))!  



Mundo, mundo, vasto mundo... ou melhor, lar, doce lar!

sábado, 22 de setembro de 2012

Estamos de volta, graças a Deus, porque tirar férias e mochilar é bom, mas a volta para casa é sempre um dos momentos mais esperados. E se a viagem foi intensa, então, (muita coisa para ver em pouco tempo) piorou!

Alguns episódios merecem destaque e um textinho mais comprido, como as excentricidades de Paris, por exemplo, que se mostrou totalmente avessa às escadas rolantes (para o meu desespero), e o Museu do Louvre, que foi gratuito no primeiro domingo do mês, para a minha desgraça e decepção. Os Lagos de Lucerna, Suíça, também merecem destaque, na minha tentativa frustrada de fotografar os alpes suíços, mas que proporcionaram fotos lindas da pequena cidade. 

Já a Alemanha, minha conhecida de outros verões, surpreendeu-me desta vez com o seu bom humor e passeios irreverentes, que mais tarde contarei com calma...

Por enquanto, ainda estou no clima de curtir a minha cama, a comida da mamãe e o cachorro...

Welcome back para mim ;)



Au revoir, Brésil!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Malas prontas para as férias, e um dos destinos, desta vez, é a "cidade luz"! 

Esperamos voltar com histórias, boas impressões, ótimas fotos e lindas recordações!

"O pior naufrágio é não partir.” (Amyr Klink)

Das dedicatórias

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Eu te dedico este rascunho amassado pelo tempo, ainda inacabado, com algumas marcas de folheio, feitas pelas idas e vindas das páginas por entre meus dedos, e as folhas em branco que compõem o grande volume ainda a ser encadernado. Porque você me ajudará a escrevê-las...

Arte no corpo!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


Por mais que uma sociedade se sinta moderna e "pra frentex", ela ainda olha com desdém, ou com um pouco que seja de preconceito para as pessoas tatuadas. Os religiosos veem como uma violação do corpo, os médicos como uma agressão e o nosso vizinho como marginalização. Eu vejo como arte. 

É assim também que os curadores da exposição "Na pele: grupos que se comunicam e identificam pela tatuagem" as veem. Agora, a história da tatuagem ganha uma exposição em São Paulo, na Galeria Olido, e vai contar a história e as curiosidades sobre esta arte.

Ficha Técnica:
Curadoria: Paulão Tattoo e Ricardo Vidal
Diretor Artístico/Produtor Executivo: Sebastião Braga
Produtora Artística: Jana Dalri e Patricia Martins de Lima
Diretores de Fotografia: Francisco Orlandi Neto e Gustavo Ceratti
Editora: Nina Kopko
Pesquisa/Jornalista: Heitor Flumian
Assessoria de Imprensa: Paula Vianna

Serviço:
Galeria Olido - 16 de agosto a 14 de dezembro
Av. São João, 473 - República São Paulo, 01035-000, Brasil (0xx)11 3331-8399
Horário: De terça a Sábado, das 13h às 20h e domingo, das 13h às 19h
Entrada gratuita

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/galeria_olido/

Refletindo...

domingo, 5 de agosto de 2012

"Eu sou. Mas o que sou tão pouco é (...)

Falta ver, se é que falta, o que serei:
um rosto recomposto antes do fim,
um canto de batráquio, mesmo rouco,
uma vida que corra assim-assim."

                          (José Saramago)

Paisagem XXI - Desencanto em Paraty

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O homem que dirige a carroça conduzida pelo cavalo quebra o encanto da paisagem à beira-mar. O cavalo sangra, mas obedece. O homem não sangra, e muito menos se importa. Parado e pacífico, o cavalo aguarda o homem que lhe tira o peso das costas. Apressado e suado, o homem enrijece os músculos enquanto o cavalo relaxa. Ambos estão cansados, mas o homem não sangra. O que aconteceu com este homem que o deixou insensível à dor do animal, seu ajudante de todos os dias? O cavalo sangra enquanto aguarda a próxima ordem, pois deve obedecer ao seu dono. O homem e seu cavalo quebram o encanto da paisagem à beira-mar, e parece que só eu me importo.

Fotografando o espírito

quinta-feira, 19 de julho de 2012

E se as fotografias pudessem captar o nosso estado de espírito? O designer gráfico e artista espanhol Nacho Ormaechea faz montagens com  pessoas anônimas fotografadas pelas ruas, substituindo suas imagens pelo seu suposto estado de espírito. Nas fotos, vemos imagens ensolaradas em pessoas inseridas num cenário de inverno, e imagens nubladas em pessoas representando um estado de espírito mais taciturno, seja qual for o motivo do fotografado. É preciso sensibilidade e percepção do outro, para se pressupor o estado de espírito de uma pessoa. Às vezes deixamos tudo muito nítido, e o que o artista faz é exteriorizá-lo de uma forma muito criativa!
O artigo original é de Margarete MS, publicado na Obvious!




Mundo, mundo, vasto mundo... Considerações sobre a FLIP, sobre Paraty e sobre pessoas cultas e que se dizem cultas

quarta-feira, 11 de julho de 2012



Você acorda com o sol entrando por entre as frestas da janela da pousada estilo colonial em que está hospedado, toma o seu café da manhã, confere o programa e parte pelas ruas de pedra da histórica Paraty para a primeira palestra do dia. Antes, uma olhadinha rápida no mar que se estende por detrás da tenda gigantesca, que só não é tão grande quanto o azul do mar. Este é o clima da Festa Literária Internacional de Paraty. E, a meu ver, este é o clima ideal para se discutir literatura e arte. E arte é o que não falta: artesanatos indígenas, pinturas, ateliês, autores independentes, declamação de poemas a 1 real, etc. Paraty transforma-se num grande circuito de arte.

Esta foi a décima edição da Festa e a primeira que tive a oportunidade de participar. Presenciar conversas de autores sobre seus livros e temas dos mais variados, desde política até flanêrie e criação de personagens, foi uma experiência muito interessante e importante enquanto um dos instrumentos de trabalho de uma pessoa formada em Letras, a literatura.  

O público também é do mais variado: professores, doutores, economistas, ou, quem sabe, engenheiros e matemáticos, vai saber, a FLIP é democrática. Também entre estes misturam-se os cultos, os poliglotas, ah, e também os barraqueiros e os “cultos” furadores de filas de autógrafo. Também incluem-se os “cultos” que têm casa em Paraty e, portanto, conseguem os melhores lugares nas melhores mesas, mesmo que o assunto não lhe importe nem um pouco, o importante é ter uma casa em Paraty. 


Paraty também fica glamourosa nas jovens que se aventuram com saltos agulha pelas ruas de pedra, nas senhoras elegantemente vestidas para as palestras noturnas, e escuta atentamente um autor que insinua que sua obra e seu sucesso nasceram acidentalmente, e que o mais importante é observar os pássaros (Jonathan Franzen). Ainda bem que autores como Alejandro Zambra, Teju Cole, Ian McEwan e Jennifer Egan elevam o patamar das discussões e mostram, com grande profissionalismo e inteligência, que literatura é feita de estudos, reflexões, background cultural e muitas outras coisas mais importantes que glamour e piadinhas sem graça.


Quer um ótimo roteiro para aproveitar o melhor da FLIP? Acorde cedo, tome um ótimo café da manhã, saia devagar, apreciando a arquitetura de Paraty, assista à primeira palestra. Logo após, procure o mar, e procure a mesa sob a sombra mais convidativa, peça uma cerveja, e beba, em frente ao mar. “O resto é literatura.” *

*Frase de Alejandro Zambra em Bonsai. 

Atrás das cortinas...

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Às vezes não basta ficar esperando, é preciso puxar as cortinas e ver o que a vida te reserva... 

Acabei de abrir as minhas. O resultado? Depois eu conto! ;)


O Flâneur do século XXI

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Foto: Silke Schüle

Um dia desses, quando estava a caminho de um compromisso para o qual cheguei horas mais cedo, sentei-me num banco e abri o livro que trazia comigo. Mas eu não queria ler. Então, limitei-me a apenas sentar e observar as pessoas que passavam. Isto me trouxe à mente, de repente, o conceito do Flâneur, que aprendi nas aulas de literatura através das figuras inesquecíveis pintadas por Baudelaire e Poe, e estudadas pelo alemão Walter Benjamin. Estaria eu praticando a arte de "flanar"?

Mais tarde, ao chegar em casa, fui ler um pouco do que havia sobre essa figura especial e tão inspiradora nascida da Paris do século XIX, e encontrei um texto chamado "A segunda morte do Flâneur".

O primeiro Flâneur "morreu" depois da transformação total da antiga Paris do século XIX, com a construção das grandes praças, o crescimento do tráfego de automóveis, a construção das grandes lojas de departamento, o embrião da vida nas grandes cidades como hoje conhecemos.

A partir do final do século XX, o artigo sugere o aparecimento de um novo Flâneur: o Flâneur cibernético, ou da internet. Ele surge juntamente com o boom da internet nos anos 90, como um explorador de novos ares, que navega despropositadamente pela web em busca de inspiração e coisas interessantes. Mas, este segundo flâneur também não consegue sobreviver e, segundo o artigo, também sucumbe à modernidade.

"Transcendendo sua brincalhona identidade original, a rede não é mais para passear - virou lugar de cumprir tarefas. Ninguém mais navega. A popularidade dos aplicativos - que conduzem àquilo que queremos sem que seja necessário abrir o browser, faz do flanar on line algo cada vez menos provável." [Trecho do artigo].

O artigo ainda aponta os monstros da web, google e facebook, como os maiores inibidores do ato de flanar, pois estes dois sites têm como objetivo uma "socialização" geral e até exagerada do conteúdo que circula pela web, não permitindo mais que se possa fazer coisas individualmente.

Apesar de ser um texto extremamente interessante e que nos coloca em posição de reflexão sobre este possível (porém, já falecido) flâneur cibernético, ainda acredito que haja flâneurs (físicos) espalhados pelas grandes metrópoles, no meio dos carros, dos edifícios cinzentos, ou mesmo do calçadão de uma bela praia do Rio de Janeiro, ou tranquila da Bahia, por exemplo. O Flâneur moderno talvez não tenha consciência do ato de flanar, mas provavelmente ainda o faz porque o espírito observador, curioso e perspicaz do Flâneur já se encontra dentro dele.


 

 
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