Mostrando postagens com marcador microconto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador microconto. Mostrar todas as postagens

Livro fechado?

quarta-feira, 23 de março de 2011

Ela dizia que sua vida era um livro fechado, não por falta de leitores, mas sim pela densidade da narrativa. Mas que boba, ela, que não sabe que há leitores exigentes, daqueles que não se contentam apenas com o previsível e fácil!

Escrever!

domingo, 12 de dezembro de 2010

O que o homem escreve, com sua caneta azul, no papel imaculado sob o sol de 35 graus da cinzenta e poluída São Paulo? Ele pensa. Escreve. Sentado na calçada. O sol não perdoa. A cidade não perdoa. Quanta gente passando, um calor infernal. O que o homem escreve, no papel imaculado, sob o sol escaldante? Eu queria saber. O homem sabe escrever?

Sobre proporções

sábado, 24 de abril de 2010

Um dia, ela prestou atenção no retorno e no movimento das coisas. Percebeu, então, que estas transitam pelo Universo e retornam para nós em proporções que só aumentam. Assim, decidiu que queria o retorno das coisas boas, de tudo o que falaria aos seus queridos, e o retorno de todas as atitudes boas que praticou em sua jornada. Se as proporções tendem a aumentar, queria somente as que lhe fossem boas, e lhe trouxessem sensação de felicidade. "Mas, o que é bom? E o que é verdadeiramente ruim?", indagou-se, enquanto desviava dos passantes pela calçada.

Paisagem (II)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

As latinhas recolhidas nas lixeiras da estação garantirão o jantar desta noite. Começam cedo, junto com a cidade que acorda para trabalhar. Mas isto também é um trabalho, quem foi que disse que não é? Não fossem seus cabelos brancos, e, às vezes, suas costas arcadas por terem carregado o peso de tantos anos, seriam, cada um, apenas mais um cidadão em busca do pão-de-cada-dia, mas por meios dignos, claro, porque a necessidade (leia-se a falta de tudo) não lhes tira o que está fundado em seu íntimo, desde a infância, aquilo que a mãe ensinava enquanto cozia junto ao fogão. Mas hoje não é mais assim, "os tempos são outros", dizem, enquanto caminham em direção à próxima lixeira.

Foto: João Ferraz

Paisagem (I)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

No vai-e-vem dos pontos da agulha de crochê, a mulher molda detalhes que se tornarão, quem sabe, uma toalha, uma peça de roupa, uma extensa colcha. Em estado máximo de concentração, calcula o laço, o movimento exato da agulha: sentido anti-horário, para cima, para baixo, e o ponto surge, perfeito. Aos poucos, o novelo de linha vai sumindo, e o trançado vai crescendo, com calma, feito a vida da mulher: cada laço forma um ponto, e o novelo se desfaz... até o fim.

Plenitude

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Estava, naquele momento, tomado por um sentimento de plenitude, algo extraordinariamente maior que sua própria constituição física, e o melhor de tudo é que não sabia a sua origem. Como chegara e este estado? - Estacou, pensativo, em meio à calçada. 

Da janela

sábado, 9 de janeiro de 2010


Encostou a cabeça à janela sem se importar com o balanço desconfortável. Os olhos lacrimejantes. Do lado de fora, a menina que não sabia que as pessoas grandes ficam tristes, às vezes, ficou a olhá-la com expressão de dúvida. Não a viu, assim como os outros, de dentro do ônibus, também não lhe notaram. Até o momento da partida, eram três imagens numa moldura empoeirada: ela, a menina, e olhos lacrimejantes.
 
FREE BLOGGER TEMPLATE BY DESIGNER BLOGS