Esses dias, na fila da farmácia, um homem esbravejava
na fila do caixa contra o governo, o sistema e os empresários. O tamanho da
fila despertara no homem a fúria que iniciara todo o discurso. “Não contratam
mais a gente em idade de serviço, contratam aposentados, para não pagaram os
direitos”, dizia atrás de mim. “Empresários são assim, por isso que o Brasil
não vai pra frente, é cada um por si... empresário domina tudo, só pensa em
si...”. Não olhei para trás para não concordar e nem discordar. Não que eu
discorde, mas acontece que, naquele dia, eu não estava para críticas. Não que
ele não devesse esbravejar, mas acontece que ninguém ouve. Eu ouvia, mas fingia
não ouvir. A moça do caixa também ouvia, mas fingia não ouvir. Ele estava atrás
de mim, e passou suas compras de remédios logo após a minha saída. A última
coisa que vi foi que ele mexia na cestinha de remédios em promoção, já em silêncio,
examinando algo para dor de cabeça, em meio à fila que não o ouvia e os gritos
silenciosos que calara desde então.
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Dos gritos silenciosos
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
terça-feira, 30 de junho de 2015
Talvez o mundo tenha se transformado em um grande consultório psiquiátrico, e eu não tenha percebido. Textos de autoajuda proliferam em minha timeline, nos blogues e até nos artigos de jornais.
Preciso de um conselho para aliviar esta dor de coração partido. Preciso aprender a viver. Se eu deixar de dar valor às coisas materiais, vou começar a ser feliz. Viaje. Como é que faz para ser feliz? Passaram-me a receita, como se fosse a de um bolo de forno. Mas você seguiu a receita direitinho? Sim, sim! E não está feliz? Como faz? E esta busca incessante do ser humano por felicidade aumenta a cada dia, hoje ainda mais. Não há regras. Não há muita complicação. Siga o conselho do Buda, aqui, e seja feliz!
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Eu queria lhes dizer
algo diferente neste dia, mas não consigo. Bombardeada por uma infinidade de
informações úteis misturadas às inúteis, aos testes sobre relacionamento e
textos de auto-ajuda, o escândalo da Petrobrás e o impeachment da Presidenta na
“Terra do Nunca”, uma vastidão de assuntos non
sense e cheios de nada, que apenas aumentam o meu tédio. É terça-feira
ainda, mas não mudaria nada se fosse sexta. Tenho trabalho que não quero fazer,
pessoas que preciso ver, abraços que não consigo dar e um dia para preencher,
ainda não tenho ideia de como! E fevereiro está acabando. Eu ia dizer que isto
não faz diferença, mas faz. O passar do tempo sempre faz diferença...
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Vejo cachorros sendo
tratados como príncipes e homens tratados como ratos de esgoto. Qual será o
critério utilizado pelo Universo quando se trata de merecimento? Quem merece o
quê, e como? A meritocracia cósmica é mais cruel que a dos homens, penso
enquanto caminho. Atração, reação, merecimento: eu mereço essa inquietude que
tudo questiona, e procuro respostas que nunca terei. Atração, reação,
merecimento: é melhor que eu agradeça, na noite de Natal, o chester sobre a
mesa. Honrar a vida do animal morto em nome do nascimento do Homem que está
sendo aos poucos esquecido. Se aplicarmos o conceito de meritocracia, vira
blasfêmia? Acho que sim, melhor parar por aqui e agradecer: pelo chester, pelo
cachorro, por não estar no esgoto com os ratos. Ano que vem começa tudo de
novo, se você merecer um ano novo.
A propósito, Feliz Ano Novo!!! :)
terça-feira, 11 de junho de 2013
Estou ouvindo muita gente dizendo que passagem de ônibus não é motivo para todo esse barulho, mas talvez este seja apenas o início: talvez a próxima manifestação seja contra este ou aquele Deputado ou Vereador safado da nossa cidade, talvez seja contra uma condenação injusta nos tribunais brasileiros, mas eu vejo um começo.
Dizem também que a classe média brasileira é a que mais paga por tudo no Brasil, desde impostos até o alto preço da violência. Pois é esta mesma classe média que eu vejo reclamando da manifestação do retrovisor de seu carro... enquanto ela ainda tem carro! Acho que tá na hora de mudar esse pensamento, né não?
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Às vezes temos que usar o nosso direito de nos mostrarmos fracos (ou devo dizer humanos?).
Temos o direito de não sermos tão polidos, tão educados e passivos.
Temos o direito de não sermos "zens".
Temos que nos dar o direito de xingar os filhos da puta que merecerem.
Temos o direito de mostrar a nossa insatisfação e excluir o que não presta de nossas vidas, sem nos preocuparmos com a opinião alheia, afinal, se nós mesmos não nos importamos conosco, quem vai, não é?
:)
quarta-feira, 15 de maio de 2013
O computador está o dia inteiro conectado à internet.
Eu estou o dia inteiro conectada ao computador devido ao trabalho.
O trabalho está o dia inteiro conectado a mim por meio de meu smartphone.
Do smartphone retorno ao computador para responder uma pendência, e aproveito para desejar feliz aniversário ao amigo cuja festa não poderei comparecer.
E tudo acontece a partir das várias janelinhas que compõem as nossas vidas.
sábado, 27 de outubro de 2012
Era pra ser mais uma
sexta-feira normal na periferia onde moro, mas, graças aos noticiários
sangrentos que assistimos todos os dias, que adoram esgotar até o talo casos de
empresários esquartejados, crianças sequestradas e esquizofrênicos atiradores,
a bola da vez foi um suposto “toque de recolher” que aconteceria nas cidades de
Carapicuíba (onde moro) e Osasco (nossa vizinha!).
A minha sexta-feira
foi normal: eu tinha um compromisso e o cumpri, chegando em casa lá pelas 22:30.
A dos outros já nem tanto... Hoje, sábado, a timeline do facebook tinha vários de
posts de pessoas que ficaram em casa e que se diziam “reféns na própria casa”. À
noite, na rua, tudo normal, a vida seguia. Ônibus lotados com trabalhadores (ou
não) que voltavam pra casa, camelôs enchendo o saco na porta da estação, como
sempre, etc. Peraí, minha gente, sem querer ser insensível, mas assassinatos
acontecem todos os dias na Grande São Paulo. Eu conheci pelo menos uma pessoa que
foi assassinada. Meu irmão conheceu. Meu vizinho conheceu. Nós vivemos cercados
pela criminalidade. Por que o pânico e a histeria agora??? Por que passou na TV???
Qual é a diferença quando NÃO passa na TV???
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Palavras da candidata à prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, sobre em quem votará no segundo turno:
"Vou votar no Serra, claro, porque ele é o mais preparado."
Claro, também concordo, o Serra tá bem acostumado mesmo a fazer os Paulistas de IDIOTA!
Um dia eu ainda vou dar um soco na cara de quem reclama da lotação dos trens da CPTM ou que as escolas paulistas estão uma merda e votam no José Serra ou no Geraldo Alckmin! Sem mais.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Horóscopo do mês de junho para o signo de Libra (o meu!):
Projetos em pleno andamento.
Viagens em alta.
Sucesso nos negócios.
Saúde normal.
Amizades bombando.
Amor: um amor do passado pode ressurgir... (Oi????)
Caralho, horóscopo, não fode, vai...
Projetos em pleno andamento.
Viagens em alta.
Sucesso nos negócios.
Saúde normal.
Amizades bombando.
Amor: um amor do passado pode ressurgir... (Oi????)
Caralho, horóscopo, não fode, vai...
domingo, 29 de abril de 2012
A vida é cheia de pregar peças na gente. E tudo de bom ou ruim que nos acontece não tem contrato, nem garantia, nem direito à devolução. Ter uma esperança positiva sobre algo é um risco totalmente seu, que você assume sozinho, da mesma forma como, se você for um pessimista e esperar o pior de todas as coisas, também será uma escolha sua.
Se tudo isso é justo ou injusto, talvez nunca saibamos. Se o que aconteceu poderia ter sido diferente se o passo fosse dado para a esquerda, ao invés da direita, quem vai saber?
Há uma grande festa planejada para esta noite. São 500 os convidados. Tudo estará perfeito... se nenhum engraçadinho cortar as luzes...
quinta-feira, 1 de março de 2012
Este texto não será uma exaltação da modernidade.
Este texto tampouco pretende ser um manifesto contra os tempos modernos.
Mas este texto é, sim, um desabafo.
Este texto é um desabafo contra uma modernidade que te deixa quase meia hora falando com uma gravação telefônica, e não resolve o seu problema;
este texto é um desabafo contra uma modernidade que te atende pelo telefone com pessoas tão perturbadas, que não querem resolver o seu problema;
este texto é um desabafo contra uma modernidade que invade a sua privacidade, invade a sua casa, e te envia um cartão de crédito que você NÃO pediu;
este texto é um desabafo contra uma modernidade que te obriga a abrir contas em bancos, se você quiser receber o seu salário no fim do mês;
este texto é um desabafo contra uma modernidade dominada por estes mesmos bancos, que, sabendo o quanto somos dependentes deles, fazem o que querem e nos cobram o que bem entendem;
este texto é um desabafo contra uma modernidade que não se compromete com nada; que não tem cara, que não tem balcão para receber reclamações, que não respeita os seus direitos, que te estressa, que te humilha;
este texto é um desabafo contra uma modernidade que oprime, que te transforma em massa, multidão, que te descaracteriza e te transforma no número 34567567896543 da lista.
Desculpem, mas se essa é a modernidade com a qual o ser humano sempre sonhou, eu prefiro voltar pra Idade Média...
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