quarta-feira, 8 de abril de 2015

Imagem: google imagens

Abriu-se abril
com ares amenos
em cenário hostil
e eu nem percebi que em meu calendário
as páginas saltavam 
e o mês quatro
já batia à minha porta
dizendo baixinho,
com voz suave
"vai, menina, não espere que eu também me acabe..."
 
(Priscila Silva)
 
 

quinta-feira, 19 de março de 2015

Texto meu publicado na Revista Escrita Pulsante!

Às 14h de uma tarde ensolarada, na agência sem ar-condicionado do Banco X, a funcionária responde à senhorinha grisalha que deseja atendimento que seu problema não será resolvido porque o banco “tá sem sistema”. Já no Banco Y, o sistema cobra mensalmente de minha conta uma taxa sobre um serviço que não utilizo e, ao questionar a gerente sobre a cobrança indevida, e se não há meio de interromper tais cobranças mensais, ouço um “não consigo, é o sistema que cobra automático”.

Estas situações me fizeram refletir sobre esse tal sistema, que no Banco X simplesmente desaparece, e deixa centenas de clientes sem atendimento, e o sistema que, no Banco Y, assume vida própria e faz as cobranças que quer, na hora que quer.

O título deste texto até sugere um discurso anti-capitalista, anti-bancos, anti-FMI e anti-tudo, mas, na verdade, caros leitores, há em si uma triste premonição sobre uma geração de escravos dos sistemas criados por nossos próprios especialistas.

Sistemas que abrem e fecham portas, que fazem contas, que dirigem carros e que fazem medições. Já prevejo um futuro amedrontador: sistemas que realizam cirurgias, que arrancam dentes e gerem o destino das pessoas. Amanhã, o próprio sistema levantará de sua mesa e virá ao meu encontro, na recepção, e me dirá “não podemos atendê-la hoje, senhora, volte amanhã”, e sairei impotente, como o fez hoje a senhorinha grisalha que encontrei pela tarde, e me recolherei à minha insignificância de ser humano. De volta à minha casa, o sistema que abre a porta não me deixará entrar antes do horário programado, e o sistema que passeia com meu cachorro deixará que ele escape, e eu o perca para sempre. Que triste esse futuro sistematizado.

Mais tarde, verifico o extrato de minha conta e o valor cobrado pelo sistema com vida própria foi devolvido. Pelo menos por mais esta noite posso dormir tranquila: a gerente venceu o sistema. Por enquanto.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015



Eu queria lhes dizer algo diferente neste dia, mas não consigo. Bombardeada por uma infinidade de informações úteis misturadas às inúteis, aos testes sobre relacionamento e textos de auto-ajuda, o escândalo da Petrobrás e o impeachment da Presidenta na “Terra do Nunca”, uma vastidão de assuntos non sense e cheios de nada, que apenas aumentam o meu tédio. É terça-feira ainda, mas não mudaria nada se fosse sexta. Tenho trabalho que não quero fazer, pessoas que preciso ver, abraços que não consigo dar e um dia para preencher, ainda não tenho ideia de como! E fevereiro está acabando. Eu ia dizer que isto não faz diferença, mas faz. O passar do tempo sempre faz diferença... 


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Bem me quer, 
Mal me quer,
Bem me quer...
Melhor me quer...
Bem me quer...
Sim, me quer!
Bem, me quer?
Sim, eu quero!
Bem, me quer?
Sim, te quero!
Bem me quer
Para sempre?
Sim, te quero!
Para sempre! 
Mas deixe em paz estas florzinhas... 

;)
(Priscila M.)


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Eu conheci um menino que abre gaiolas para libertar pássaros. Diz ele que os pássaros não foram feitos para prisões, mas sim para cantarem a liberdade. Agora, todos os dias, acordo sobressaltada com medo de que ele, livre como seus pássaros, tenha alçado voo enquanto eu durmo. E como é difícil deixar as portas abertas, para que nossa vida não seja feita de prisões, e sim de querências e do desejo de ficar.

Wellcome, 2015! :)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014



Vejo cachorros sendo tratados como príncipes e homens tratados como ratos de esgoto. Qual será o critério utilizado pelo Universo quando se trata de merecimento? Quem merece o quê, e como? A meritocracia cósmica é mais cruel que a dos homens, penso enquanto caminho. Atração, reação, merecimento: eu mereço essa inquietude que tudo questiona, e procuro respostas que nunca terei. Atração, reação, merecimento: é melhor que eu agradeça, na noite de Natal, o chester sobre a mesa. Honrar a vida do animal morto em nome do nascimento do Homem que está sendo aos poucos esquecido. Se aplicarmos o conceito de meritocracia, vira blasfêmia? Acho que sim, melhor parar por aqui e agradecer: pelo chester, pelo cachorro, por não estar no esgoto com os ratos. Ano que vem começa tudo de novo, se você merecer um ano novo.   

A propósito, Feliz Ano Novo!!! :) 


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Caminho sozinha pelas ruas da Lapa, em São Paulo, em busca de arte. Encontro trabalhadores cansados que deixaram seus trabalhos às 17h da tarde, depois de um dia cheio que provavelmente começara às 05h da manhã. No contrafluxo, ouço trechos de suas discussões desconexas, fala de gente simples para gente simples; piada de gente simples para gente simples; vestes de gente simples. No contrafluxo, o cabelo ruivo da moça se prendeu em meu braço, trazido pelo vento, e me acompanhou em meu trajeto. A cantada do homem em frente à loja me acompanhou ao outro lado da rua, e então a deixei pelo caminho. No contrafluxo, cruzei com os construtores da Lapa, os que trabalham para que a grande engrenagem funcione, não perfeitamente, mas minimamente possível para a continuidade da vida. Eles me acompanharam à exposição de arte, e voltaram para casa comigo, ainda meio estranhos, ainda com olhares desconfiados.

Foto: construtores - Paulo Pires


sexta-feira, 31 de outubro de 2014



Uma mão, um abraço, uma noite inteira guardada num relicário. “O mundo está ao contrário e ninguém reparou”... claro que não, o mundo parou quando você chegou ao seu lado.




sábado, 25 de outubro de 2014

"Você na certa deve ter me conhecido num momento em que eu estava cheia de esperança. 
Sabe como eu sei? Porque você diz que sou linda. Ora, não sou linda. Mas quando estou cheia de esperança, então de minha pessoa se irradia algo que talvez se possa chamar de beleza."

(Texto "Adeus, vou-me embora")

Ah, sua linda!!!

domingo, 19 de outubro de 2014


Outubro começou de forma chocante, com um grito desesperado pela manhã pedindo socorro. Não um grito meu, mas o grito de alguém que precisa de ajuda por dentro, para uma angústia que já não cabia mais no peito e transbordou nas frases disparadas na rua onde moro. E mais triste que ouvir os gritos de socorro é perceber a sua impotência diante do outro que sofre. E mais triste que a sua impotência é a sua omissão. A gente diz que é bom e reza todas as noites. A gente joga o lixo no lixo e deixa livre o lugar dos idosos. E a gente acha que isso é o suficiente. Mas não é... é preciso não ser omisso, caro leitor! Não seja omisso!
 

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