segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Caminho sozinha pelas ruas da Lapa, em São Paulo, em busca de arte. Encontro trabalhadores cansados que deixaram seus trabalhos às 17h da tarde, depois de um dia cheio que provavelmente começara às 05h da manhã. No contrafluxo, ouço trechos de suas discussões desconexas, fala de gente simples para gente simples; piada de gente simples para gente simples; vestes de gente simples. No contrafluxo, o cabelo ruivo da moça se prendeu em meu braço, trazido pelo vento, e me acompanhou em meu trajeto. A cantada do homem em frente à loja me acompanhou ao outro lado da rua, e então a deixei pelo caminho. No contrafluxo, cruzei com os construtores da Lapa, os que trabalham para que a grande engrenagem funcione, não perfeitamente, mas minimamente possível para a continuidade da vida. Eles me acompanharam à exposição de arte, e voltaram para casa comigo, ainda meio estranhos, ainda com olhares desconfiados.

Foto: construtores - Paulo Pires


sexta-feira, 31 de outubro de 2014



Uma mão, um abraço, uma noite inteira guardada num relicário. “O mundo está ao contrário e ninguém reparou”... claro que não, o mundo parou quando você chegou ao seu lado.




sábado, 25 de outubro de 2014

"Você na certa deve ter me conhecido num momento em que eu estava cheia de esperança. 
Sabe como eu sei? Porque você diz que sou linda. Ora, não sou linda. Mas quando estou cheia de esperança, então de minha pessoa se irradia algo que talvez se possa chamar de beleza."

(Texto "Adeus, vou-me embora")

Ah, sua linda!!!

domingo, 19 de outubro de 2014


Outubro começou de forma chocante, com um grito desesperado pela manhã pedindo socorro. Não um grito meu, mas o grito de alguém que precisa de ajuda por dentro, para uma angústia que já não cabia mais no peito e transbordou nas frases disparadas na rua onde moro. E mais triste que ouvir os gritos de socorro é perceber a sua impotência diante do outro que sofre. E mais triste que a sua impotência é a sua omissão. A gente diz que é bom e reza todas as noites. A gente joga o lixo no lixo e deixa livre o lugar dos idosos. E a gente acha que isso é o suficiente. Mas não é... é preciso não ser omisso, caro leitor! Não seja omisso!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014



Das folhas que caíram, do branco que passou, dos dias que acabaram, das coisas que ficaram... da música que não ouvi, das mãos que não toquei, das coisas que falei, das coisas que não disse... da presença que chega e fica, da distância de some e se vai, das dúvidas que surgem e incomodam, do olhar que tranquiliza e acalma... entre as coisas que quero que fiquem estão os teus dedos dentre as minhas mãos, nada mais.


quarta-feira, 13 de agosto de 2014



Vejo um adesivo de candidato a deputado estadual colado nas costas de um senhor. Ou quiseram tirar um sarro dele, ou usaram-no na campanha. Acredito que seja a primeira opção. Não li o nome do candidato, só reparei nas vestes surradas do velhinho que caminhava à minha frente. Um retrato da terceira idade no nosso país: uma vida de trabalho pela sobrevivência (uma vez li em algum lugar que brasileiro não vive, sobrevive), e a recompensa não vem nunca. Acho que ele não espera recompensa. Só quer sobreviver. O caminho amontoado de bolivianos vendendo lenços, e nós desviando deles. São obstáculos para se chegar à estação, eles também sobrevivem. Os motoristas de ônibus sobrevivem em meios aos cães abandonados e vendedores de cachorro quente. As baratas sobrevivem entre todos, e sobrevivem a todos. A paisagem da estação muda entre pilares e concreto, assim como as pessoas mudam: vejo rugas, mau humor e decepção. Um dia eu vi amor, só um dia. Depois não vi mais.


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Entre sustos, alívios e conclusões começa agosto. Só lhe peço que seja leve... :)

terça-feira, 15 de julho de 2014

Está pronta a primeira edição da revista Escrita Pulsante, da qual faço parte juntamente com uma galera engajada em jornalismo cultural e de cunho social. Ainda está tímida, mas tem planos grandiosos de crescer e se tornar muito lida por quem preza por uma escrita mais "pulsante", "na veia".

Abaixo está o editorial de apresentação da revista! Quem curtir, passa lá ;)


A escrita pulsa nas ruas. Pulsa também nas horas, minutos e segundos dos nossos dias. Pulsante também segue o jornalismo desta revista, um projeto criado para oferecer outros olhares sobre cultura e sociedade, ou outros pontos de vista carregados de sensibilidade e crítica.

As mãos conduzem a escrita e a escrita é pulso firme diante do universo de histórias presentes no dia a dia das pessoas. Cada lugar com seu tempo, identidade, referência, momento político, confusão e solução, assim como o humano e seu dia na vida. Vida que se revela ou se esconde no correr da história, algumas partilhadas em nosso convívio diário, outras não.

Para além de uma escrita pretensiosa de iluminação, a Revista Escrita Pulsante interessa-se pelo obscuro das histórias e quer nela permanecer. O deslocamento para o acontecimento coloca-nos em face da investigação; a descoberta impulsiona enredar as histórias da fala, as histórias dos silêncios que existem nos fatos e não fatos. Assim, este será um lugar de reflexão, no qual pulsará a vida em todas as suas formas, constituindo, assim, as páginas desta revista.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

É incrível como os artistas são imediatamente reconhecíveis. Andando na multidão que transita pela Feira de Artes, o artista se destaca. Não é necessário perguntar quem é, reconhecemos-lhes ao olhar. Talvez o ar de tranquilidade, o olhar sagaz de quem capturou uma cena ou uma expressão peculiar, ou ainda a inquietude que lhes é habitual. Artistas são reconhecíveis e identificáveis. Decifráveis não. Para decifrá-los é preciso muito mais que um primeiro contato despreocupado. Para decifrá-los, talvez seja necessária uma cerveja, ou um bom vinho, regado a um bom papo. ;)


segunda-feira, 30 de junho de 2014

"Estar no mundo é fazer parte do mundo. O mundo não é mundo sem mim, e eu não sou o outro do mundo; eu existo no interior da correlação da qual sou um dos termos: só há mundo para mim, mas eu não sou o mundo; o que parecia nascer de mim me faz nascer (...)"

(Mikel Dufrenne)

Isso é o meu boa noite para vocês! :)


 

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