A beleza do ser humano

sexta-feira, 23 de março de 2012

Arte: Marie Luise Emmermann

Se eu lhes perguntasse qual é o critério para se avaliar a beleza de uma pessoa, o que vocês me responderiam? 
É de se esperar que pelo menos 70% das respostas se refiram à beleza estética, e que os demais 30% se lembrem de citar características psicológicas ou de caráter comuns a uma pessoa boa. Mas a minha intenção, aqui, não é despertar a consciência moral dos leitores para a apreciação da beleza interior, mas sim discutir um tema levantado por Dostoiévski em sua obra "O Idiota": "a ideia de representar um homem positivamente belo (...)".

"O Idiota" é a história de um homem desprovido de egoísmo, capaz de se sacrificar pelos outros, ou pelo coletivo, sendo visto pelos que o cercam como um idiota, alguém mentalmente incapaz, ingênuo e fácil de ser enganado pela massa "esperta e inteligente".

E se eu lhes perguntasse quantas vezes não achamos uma pessoa boa um idiota por ter devolvido uma grande soma em dinheiro encontrada na rua, por exemplo, ou por não ter mentido em alguma situação em que, por desespero, um ser humano fatalmente mentiria? Temos este pensamento porque esta é a filosofia moderna que nos rege, e que Dostoiévski já identificara no homem russo do final do século XIX. O que Dostoiévski já ansiava, em seu tempo, era a "superação do egoísmo burguês, pois sem essa superação, pode-se inviabilizar a vida do homem na face da terra" (Prefácio de Paulo Bezerra para a 3ª edição, 2010, pág. 11). O homem "esperto", na realidade, é o homem sem escrúpulos, individualista e egoísta ao extremo, que se importa somente com seu bem estar e os seus negócios.

Imaginem, agora, um mundo sem "Idiotas", dominado pelos "espertos e inteligentes": não existiriam ações de assistência social, não existiriam ONGs protetoras de animais e da natureza, e a vida como conhecemos hoje (mesmo que não seja a melhor), talvez já nem existisse mais.

 

Um comentário:

Parole disse...

Muito bom seu texto e análise, Priscila.Dá para se refletir bastante sobre ele e percebe-se que a humanidade tem um caminho longo até que se atinja o equilíbrio entre ser ingênuo demais e espertalhão.

Beijinhos.

 
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