Eterno Retorno

domingo, 15 de novembro de 2009


"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"

(Trecho de "A Gaia Ciência" - Friedrich Nietzsche)


Estaria o ser humano fadado ao eterno ciclo de repetições das ações diárias e suas conseqüências sobre o destino da humanidade? Todo sofrimento, toda alegria, toda dor que assolam a existência desde o princípio dos tempos até hoje, fariam parte do Eterno Retorno descrito por Nietzsche?


O filósofo alemão Friedrich Nietzsche, polêmico por suas obras de títulos fortes como “O Anticristo”, ou “Além do Bem e do Mal” e por afirmações como “Deus está morto”, não foi o primeiro a refletir sobre a possível circularidade na existência humana. Platão, expressão máxima da filosofia grega, também já havia teorizado sobre o eterno retorno do mesmo, como um tipo de trajeto que o mundo físico percorre, e que, chegando a um determinado fim, passa a repetir-se eternamente. Na religião, o ser humano está fadado ao sansara, conceito budista o qual diz que estamos presos na roda das encarnações, e, desta forma, nossas almas reencarnarão e passarão novamente por todas as fases da nova vida, sofrendo mais uma vez todas as ações e consequências já antes vividas por gerações anteriores.


Nietzsche, no trecho citado acima, faz-nos questionar sobre o nosso modo de agir: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?”, e pensar sobre as consequências na futura repetição. Será que, se agirmos corretamente e escolhermos determinados caminhos ao invés de outros, conseguiremos alguma variação de ações dentro do ciclo de repetições?


Sem dúvida, estas reflexões não se enquadrariam no pensamento e filosofia nietzschianos, considerando-se que o filósofo alemão possui como grande característica de sua obra o ceticismo e a falta de crença religiosa, porém, expandindo-se um pouco os horizontes, passando pela religião e pelos grandes pensadores gregos, por que não pensar que todas estas teorias se completam e fazem parte da eterna tentativa de solucionar o maior mistério de todos os tempos: a vida?





Leia mais sobre Nietzsche no Campo de Orquídeas

2 comentários:

Fernanda disse...

Se eu soubesse que tudo o que vivo se repetiria,acho que aproveitaria maisa vida,pra não viver toda a eternidade fazendo coisas tão normais.

Maria Milesi disse...

ah não...doeria muito...mil bjs...vou retornar...tô procurando emprefgo e meio sem foco ...te adoro...mil bjs

 
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