Correspondências

sexta-feira, 1 de abril de 2011



Na era dos e-mails, cartões virtuais, mensagens sms, redes virtuais etc, qual o ambiente ideal para se criar um romance, uma história interessante e atrativa para ser contada dentro de 150 ou 200 páginas de um livro? 

Em “O castelo nos Pirineus”, Jostein Gaarder utiliza o meio de comunicação mais famoso dos últimos tempos para ser o elo entre Steinn e Solrun, depois de um reencontro do ex-casal em um chalé em meio à paisagem norueguesa. Além dos questionamentos dos personagens sobre o motivo que os levou à separação, as correspondências eletrônicas tornam-se, ainda, uma grande discussão a respeito da origem e do fim da vida, o que há depois da morte, sobre espiritualidade e ceticismo, repleto de filosofia, assim como as demais obras do autor.

Os e-mails, atuais substitutos das cartas de papel por sua praticidade e comodidade, são hoje as nossas cartas de amor, as nossas cartas de despedida, de reencontros, e das boas e más notícias. Armazenados em memória, o tempo não os envelhece, não rasgam, e estão sempre naquela pasta exata. Por outro lado, não há cheiro, não há a marca da mão do escritor, não há a particularidade da letra, boa ou má escrita.

O que perdemos, ou o que ganhamos, é apenas uma questão de ponto de vista. As correspondências permanecem, a necessidade de sentir a proximidade do outro permanece, e a capacidade do escritor de captar estas necessidades dentro do seu tempo é o que faz a verdadeira diferença. 

6 comentários:

Maria disse...

O que perdemos, ou o que ganhamos, é apenas uma questão de ponto de vista. As correspondências permanecem, a necessidade de sentir a proximidade do outro permanece, e a capacidade do escritor de captar estas necessidades dentro do seu tempo é o que faz a verdadeira diferença.

E é por isso que eu não canso de vir aqui...
Bjs com carinho...

PS vou comprar o livro!!!

Mateus Luciano disse...

sim com a carta
temos o odor o toque
me lembro quando trocava cartas com uma namorada era tão doce e delicioso receber cartas cheirosas e decoradas
.

C. disse...

Esse livro me parece bacana.
Enquanto lia ia pensando como é bom receber uma carta, mas por outro lado, o quanto demora para termos um retorno dela. É essa necessidade do imediatismo, e que em relação ao e-mail, dependendo de quem envia, nao existe demora.

Miguel disse...

Ah...as deliciosas e aguardadas cartinhas rabiscadas com aquele traço de quem se ama, o cheiro, marcas de lágrimas, incomparáveis. Hj a chegada de uma escrita eletrônica também não deixa de ser uma gratíssima surpresa, os tempos mudam mas as palavras permanecem. Maravilho texto minha cara, até outras vezes.

Giovanna Cóppola disse...

O livro parece ser interessantíssimo, mas mais interessante ainda são os seus comentários. Embora tenhamos tratado tudo por e-mail hoje em dia, eu acredito que as cartas escritas possuem uma peculiaridade incomparável e certas emoções só podem ser provocadas quando visualizamos aquele pedaço de papel com a letra de quem amamos. Beijo!

Jéssica V. Amâncio disse...

Li apenas um livro desse autor, faz bastante tempo (O Mundo de Sofia), amei, óbvio. E estou louca para ler o resto, tem sempre alguns que me chamam a atenção dele. Bom saber desse! rs

 
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