Paisagem XXXI - Os construtores

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Caminho sozinha pelas ruas da Lapa, em São Paulo, em busca de arte. Encontro trabalhadores cansados que deixaram seus trabalhos às 17h da tarde, depois de um dia cheio que provavelmente começara às 05h da manhã. No contrafluxo, ouço trechos de suas discussões desconexas, fala de gente simples para gente simples; piada de gente simples para gente simples; vestes de gente simples. No contrafluxo, o cabelo ruivo da moça se prendeu em meu braço, trazido pelo vento, e me acompanhou em meu trajeto. A cantada do homem em frente à loja me acompanhou ao outro lado da rua, e então a deixei pelo caminho. No contrafluxo, cruzei com os construtores da Lapa, os que trabalham para que a grande engrenagem funcione, não perfeitamente, mas minimamente possível para a continuidade da vida. Eles me acompanharam à exposição de arte, e voltaram para casa comigo, ainda meio estranhos, ainda com olhares desconfiados.

Foto: construtores - Paulo Pires


Um comentário:

GiovannaR disse...

Seu talento para transformar as coisas mais prosaicas em versos em prosa é incrível :) Ando meio sem aparecer, mas, quando o faço, só tenho boas surpresas.
Beijos e parabéns :D

 
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