Paisagem (III)

sábado, 13 de março de 2010

Sentada sozinha à mesa, ela fica a observar o prato de comida que esfria, enquanto pensa sobre a humanidade. Mas a humanidade é muita coisa para se pensar, é muita gente, são muitas vidas, muitos caminhos. Ela não tem fé, e não acredita nas pessoas que observa. Já passara por muitas vidas, e vira muitas coisas: os julgamentos são impiedosos, e ela não consegue levar fé na sentença. Advogados advogam, promotoria acusa, o réu fala, ninguém ouve. "Não lhe darão o direito de responder"? "Não, ***, não há meio de fugir do julgamento pelo que se é".
Uma mosca pousa, tranquila, sobre o prato. Que importa? Ela não tem mais fome.

2 comentários:

Juliana Mendes disse...

Toda essa crise é de perder o apetite mesmo...
a cada dia que entendo mais sobre humanidade, mais eu bebo, menos eu como! não é a solução, mas p quem precisa fugir...
:S

A Magia da Noite disse...

no seguir do caminho assistimos a muito mais que aquilo que gostaríamos, mas seguimos procurando o nosso lugar no meio desse emaranhado de sentidos.

 
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