Poetas e Poesias

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Foto: Atrás do palco - José d'Almeida & Maria Flores


Há inúmeras discussões sobre como nasce um poema, sobre a poética em si, como arte da linguagem ou fruto de um momento de inspiração, seja qual for a sua origem.

Para o filósofo Heidegger, o poeta é muito mais que um artista, capaz de realizar, através das palavras, a mediação entre o divino e o terreno. Já para o grego Aristóteles, não basta rimar e escrever palavras ao vento, é preciso cantar grandes feitos, imortalizar heróis, a poesia é imitação, é reconstrução do que aconteceu e construção do que poderia acontecer.

Em Fernando Pessoa, "o fingidor", aquele que finge tanto que finge a própria dor. Um artista da linguagem, capaz de criar mundos através das palavras. Capaz de criar dor? Poderes dos quais eu não duvido, e creio que sejam realmente possíveis, desde que o leitor, o diretamente atingido pelas palavras, encare o desafio de participar do "fingimento".

Poe, na Filosofia da Composição, foi um pouco menos sentimental, e provou por a + b que é possível seguir um "manual de poesia", que, para escrever um bom poema, é necessário muito mais que inspiração e meia dúzia de palavras bonitas: é necessário TÉCNICA.

Podem existir muitas outras definições, de outros poetas, autores e filósofos que pensaram e teorizaram a arte de poetar, e, recentemente, encontrei uma definição que pertence à poetisa portuguesa Sophia Andresen. Para ela, a poesia tem uma extrema ligação com o mundo real, e é só a partir dele que ela existe. As palavras refletem a vida, os acontecimentos, têm vigor e densidade: "o verso é denso, tenso como um arco, exactamente dito, porque os dias foram densos, tensos como arcos, exactamente vividos. O equilíbrio das palavras entre si é o equilíbrio dos momentos entre si" (Sophia Andresen).

Por que a definição dela me chamou a atenção?

Porque estes momentos estão em cada janela, de cada rua, em cada pequeno acontecimento captado por um olhar, que é congelado na forma de palavras... apenas olhe e mova o lápis.



5 comentários:

Bia Maia disse...

Amiga querida!
Magnífico o que escreveu aqui!Parabéns!Mais um blog lindo!!!
Estarei por aqui também!
Muito bom mesmo!!!

Um beijo no coração e uma FELIZ PÁSCOA!!!!

Bia Maia

http://olhardentrodosolhos.blogspot.com

C. disse...

Olá Priscila, cheguei aqui através do blog da Bia Maia.

O pior é quando tiram do poeta a autoria, esse momento de escrever que foi lhe dado como um dom divino.
Sinto por essas pessoas que vivem essa farsa, e que estao mais próximos de nós do que imaginamos...

Beijos!
Cristina

Monday disse...

poetas, pintores, escultores, artistas em geral, acho que não se deve procurar definições para eles e suas artes, a não se que se queira formar opiniões acadêmicas para serem discutidas nas rodas de pensadores profissionais ou amadores ...

poesia é mistura de realidade e sonho, versos são uma forma de expressão normalmente diferenciada, a quem se permitiu a quebra de algumas regras gramaticais em nome da estética, da sonoridade e da beleza ...

poemas podem resultar de inspiração, de observação, podem vir recheados de técnica bem treinada ou de talentos naturais ...

porém, o principal não é a forma com vem ou como fica, na minha opinião ... fundamental é que o poeta tenha olhos capazes de enxergar a alma e os sentimentos, para que sua poesia não se transforme somente num belo arranjo, porém sem a capacidade de encantar e trazer brilho aos olhos ...

Salve Jorge disse...

Para que haja poesia
De fina maestria
É necessário inspiração
De preferência em profusão
A derramar-se pelo chão
Caudalosa
Certeira como uma rosa
Desabrochando sensação
Quer seja indecorosa
Quer seja formosa
Tal qual uma musa
Que dos teus sentidos abusa
E simplesmente te usa
Para que a arte
Extrapole uma pequena parte
E se faça mais difusa
Chegue a Marte
Chegue ao peito
Faça do mundo um leito
Para o deleite
Com tanta imensidão...

nazarevarella disse...

Adorei seu blog.Está nos meus favoritos.
Bjs Nazaré

 
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