Sobre pequenas e grandes coisas

quarta-feira, 7 de outubro de 2009


Foto: José d' Almeida e Maria Flores

Qual é a tendência do pensamento humano na atualidade? "Pense grande, cresça, desenvolva-se, faça evoluia, etc", todos termos relacionados à grandeza, ao excesso como algo bom e como objetivo. E as pequenas coisas, onde ficam? Aquelas coisas simples que notamos no momento certo, aquilo que fisgou nossa atenção numa fração de segundo e se tornou inesquecível porque foi inusitado, pequeno e rápido? O momento em que você olhou para o céu e viu um pássaro pousado no ar, de asas abertas, sem batê-las; ou o momento exato em que a mosca cai na teia da aranha, inocente, desprevenida, tornando o momento aterrorizante.

Não é difícil encontrarmos olhares que imortalizam esses pequenos momentos, seja na literatura ou mesmo na fotografia, uma "estética" das pequenas coisas começa a surgir, aos poucos, valorizando o que há de mais sensível no dia-a-dia de nossas vidas.

É o caso, por exemplo, da poetisa Rita Apoena, cujo site Jornal das Pequenas Coisas é repleto destes pequenos momentos mágicos que simplesmente deixamos passar durante a correria do nosso cotidiano. Além de Rita, basta um breve passeio por blogs de poesia e se pode notar que há sim um interesse nas chamadas "pequenas coisas", como uma temática crescente na tentativa de sair desta imensidão de excessos e grandezas sem fim na qual fomos imersos e não conseguimos mais nos libertar.




4 comentários:

Bia Maia disse...

Fantástico!
Simplesmente FANTÁSTICO!
Adorei tudinho o que você escreveu!

E, a cada dia que se passa em minha vida, eu tenho mais e mais a certeza de que O MENOS É MAIS!

Me sinto cada dia mais leve, pois consegui me libertar desta loucura que embriaga a maioria dos seres humanos...

Beijos, linda!

Boa noite!

Biazinha

A Magia da Noite disse...

o detalhe que nos escapa revela-se sempre como o mais importante de um determinado momento.

Salve Jorge disse...

Entre tanta tedência
Tanta malevolência
Que haja paciência
Pra aguentar
Há o pequeno
O particular
Beleza insular
Entre tanto mar
De mesmice
Tudo bem que o mar seja sereno
Mas eu quero agito
Chegar no ápice
E coisa que vicie
Nesse meu ninho
Pequeno e modesto caminho
Que certamente não faço sozinho
Mas é meu
Camafeu sem fim
Mesmo que contido em mim...

Paulo Tamburro disse...

PRISCILA, nascemos de um cópiadora divina chamado útero.

Deus considerou a mulher, o ser melhor para imitá-lo.

O tamanho do óvulo e do espermatozóide são apenas visíveis ao microscópio, isto para começar a citar e falar de pequenas coisas.

No entanto, já ao nascer os pais querem para seus filhos um grande enxoxal, um berço que caberia até um filhote de rinoceronte e, atualmente vendem-se chupetas que literalmente, de tão grandes escondem o rosto do recém-nsacido!

Crescemos nestes embalos das megalomanias.

Hoje em dia, os tênis parecem mais pranchas de surf , enormes, iluminados como a cidade de Paris.

Você tem toda razão.

E seus argumentos lembraram-me de um filme, sem nenhuma maior importância de bilheteria e daquela fase entuiástica do Kung Fu,luta chinesa.

A cena é a seguinte: O discípulo de um velho e sábio mestre desta arte marcial,convence aquele homem a sair da sua aldeia do interior,e trás seu professor, para morar em New York.

Um dia, andando os dois pela rua,o mestre pára e fica atentamente - em meio a uma barulheira imensa de carros passando e buzinando -olhando atentamente para dentro de um ralo, no meio fio da calçada.

Estranhando aquilo o aluno perguta-lhe, a razão daquela atitude e aí veio a mais surpreendente resposta que, talvez nós ajude a compreender o conteúdo do seu excelente texto.

Diz o mestre Kung Fu em meio àquela imensa algazarra urbana:

- Meu filho,faz muito tempo que não escutava o canto de um gafanhoto, e aí dentro deste ralo tem um.

PRISCILA, nós não fomos educados, nem desenvolvemos nossa sensibilidade para ouvir o canto dos gafanhotos, neste inferno das grandes , imensas, colossais, entupidas e insuportáveis cidades!

 
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