É domingo...

domingo, 27 de novembro de 2011

"Eu dizia "apareça"
Quando apareceu
Não esperava
Um dia me beijou e disse:
"Não me esqueça"
Foi embora
E só esqueci, metade..."

(Adriana Calcanhoto, Bagatelas)

Paisagem XVI - Mulher no balcão

quarta-feira, 23 de novembro de 2011


Uma cerveja, por favor!
A mulher sentada no canto, encostada na parede, degusta sua cerveja enquanto observa as pessoas que entram no bar à meia-luz naquela tarde de sexta-feira, final de expediente. Ela está sozinha. Os cabelos presos no alto da cabeça e o brinco comprido pelos ombros mostram que ela está à procura algo. Seus olhos também procuram algo pela extensão do balcão. E não encontram. Talvez se ela procurasse com calma, minuciosamente, na outra sala, quem sabe? Nenhum olhar procura os seus. Talvez se ela usasse uma saia mais curta. Da próxima vez beberei um whisky. Da próxima vez, ela soltará os cabelos por entre os brincos, reforçará o batom e pedirá um whisky. Mas só da próxima vez. 
 
Foto: Philipp Kayser

...

domingo, 20 de novembro de 2011


"Eu te conheço até o osso por intermédio de uma encantação que vem de mim para ti.
Só há uma coisa que me separa de você: o ar entre nós dois. Às vezes para ultrapassar esse quase cruel afastamento, eu respiro na tua boca que então me respira e eu te respiro. Mas só por um único instante, senão sufocaríamo-nos: seria o castigo que se recebe quando um tenta ser o outro."

(Clarice Lispector)

Foto: Matthias Schmiedel

"Chuva de poesia" em Ouro Preto

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

E se do céu, ao invés de gotas d'água, caíssem poesias???

Aqui estão algumas fotos do projeto do poeta Guilherme Mansur, em Ouro Preto, que fez chover poesia em pequenos pedaços de papel pelas ladeiras da cidade. 

A matéria completa está no Portal Cronópios! As fotos também são do site!



Doce novembro - amargo novembro

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

E este novembro que começa após o dia de finados, que poderia ser doce, mas só deixa esse gosto amargo de saudade... não de quem se foi para sempre, mas sim de quem se foi por um tempo, e ainda se espera que volte!



Foto: Iris Lehnhardt

Dia "D"

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Que dia das Bruxas, que nada... Hoje é dia D, dia de Drummond!!!


O amor bate na aorta

Cantiga do amor sem eira
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.

Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito!

O amor bate na porta,
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.

Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.

Amor é bicho instruído.
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem, 
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo corpos, vejo almas
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender...

(Carlos Drummond de Andrade)


Mundo, mundo, vasto mundo... ou melhor: lar, doce lar!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eu sempre posto sobre diversas cidades e minhas impressões sobre os mais variados lugares, mas, sobre a minha São Paulo, que eu tanto amo e odeio ao mesmo tempo, quase não digo nada de bom! Desta vez, procurei fotos dos principais pontos turísticos de São Paulo, para aqueles que acham que Sampa é um lugar só para trabalhar e passar nervoso no trânsito... Não, Sampa também é muito linda, olha só:

 Parque do Museu da Independência

 Pátio do Colégio, onde São Paulo nasceu!

 Avenida Berrini refletida no Rio Pinheiros... linda, se não soubéssemos que o Rio Pinheiros é praticamente morto!

 MASP, Avenida Paulista

 Igreja São Bento

 Catedral da Sé vista de um ângulo muito bonito!

 Viaduto Santa Ifigênia (sem camelôs!)

 Teatro Municipal

Ponte Estaiada 

As fotos foram retiradas do site Sampa on line!

Pátria amada, Brasil!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011


Como todos nós aprendemos nas aulas de história dos nossos tempos de escola, o Brasil sempre sofreu de uma "falta de personalidade" ocasionada, em especial, pelos longos anos de dominação portuguesa sobre o nosso povo. São vários relatos de cenas da corte brasileira tentando imitar costumes, trajes e cultura europeia, fato que passou a ser motivo de piada, senão papel ridículo, em um país tropical de clima e ares tão diferentes da Europa. A literatura, a pintura e o teatro utilizavam os moldes europeus em suas criações, e as vanguardas europeias chegavam ao Brasil atrasadas e eram imitadas da maneira que podiam.

Muitos anos depois, mais precisamente a partir da iniciativa dos modernistas de 1922, o Brasil tentou alucinadamente encontrar a sua identidade nacional/cultural. Mário de Andrade apostou no folclore e os sociólogos e antropólogos apostaram no mulato, no mestiço. O resultado é o que conhecemos até hoje: o Brasil é um país de mestiços, o país do samba, país da feijoada e o país do futebol! Ou será que não é bem assim?

Leandro Narloch, autor do interessantíssimo Guia politicamente incorreto da História do Brasil, nos mostra que tudo o que adotamos como exótico e "genuinamente" brasileiro, não é tanto quanto achávamos que fosse!

A partir de seu capítulo "Samba", Leandro Narloch mostra, com base em bibliografias diversas, documentos e outras fontes de pesquisa que o samba, tão aclamado por ser um retrato da "cultura do morro" e parte fundamental da formação da cultura brasileira não veio do morro, e que suas raízes tão pouco partem de manifestações folclóricas, mas sim do maxixe, e um pouco de influência do jazz, tornando-se o samba como conhecemos apenas após os ideais nacionalistas ganharem força em meados de 1930, na Era Vargas. Os compositores dos sambas que viraram símbolo nacional eram filhos de industriais e estudantes de medicina. A feijoada, um dos nossos maiores orgulhos quando falamos de culinária brasileira, tem origem europeia. Os latinos do Império Romano, da França e da Espanha é que misturavam carne com legumes e outras coisas, e o prato francês cassoulet é parecidíssimo com a nossa feijoada, porém, feita com feijão branco.

Segundo Narloch, a consagração da imagem do brasileiro veio com a visita de Walt Disney ao Brasil, que logo depois ocasionou a criação do personagem "Zé Carioca", que passeava pelos calçadões das praias, tomava cachaça e sambava com Carmen Miranda. Pronto! O mundo conhecia a cultura brasileira.

Obviamente todas estas constatações não podem influenciar em nada na identidade cultural brasileira hoje, afinal, todos estes itens já foram há muito incorporados à nossa cultura e, se num primeiro momento não são genuinamente brasileiros, já se tornaram por serem tão amados e muito bem feitos por nossas mãos, seja na cozinha, como a nossa feijoada, seja o samba e a grandiosidade do evento que se tornou o carnaval brasileiro (que eu não gosto, só para constar, mas tenho que admitir que é um espetáculo!).

Fica a dica de uma leitura muito interessante e gostosa!!!

Post bem humorado!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ontem foi dia das crianças, e ver tantas manifestações sociais em prol das crianças do município de periferia da Grande São Paulo [Carapicuíba] onde moro me deixou de bom humor! Avistei pela cidade algumas atividades de diversão e esportes voltadas para as crianças, coisa que nunca tinha visto antes por aqui.

O bom humor veio do fato de que talvez esta seja a única alegria que algumas destas crianças tiveram nos últimos dias, nos últimos meses... Não estou querendo fazer drama, mas cada um sabe a paisagem que vê pela sua janela quando a abre de manhãzinha...

Feliz dia das crianças, children! ;)


Foto: Flávio Regis.

"Querida fotografia..."

domingo, 9 de outubro de 2011


Todos nós temos pilhas de fotografias que, quando contempladas, nos levam de volta a locais da infância, da adolescência, ao colo da avó ou à alguma lembrança que fará parte de nossa vida até o fim de nossos dias. O site Dear Photograph propõe a volta às situações destas antigas fotografias, anos depois, sempre acompanhadas dos comentários sobre a primeira foto.

Os comentários quase sempre são emocionantes, carregados de sentimentos e lembranças, afinal, fotografias são uma forma de congelar ou imortalizar aqueles momentos que, cedo ou tarde, por um milhão de motivos diversos, serão esquecidos por nossas mentes. Confesso que me emocionei com vários comentários!


Dear Photograph [querida fotografia],
Eu sempre amei o velho balanço de pneu que papai fez para nós. É ótimo saber que, depois de todos estes anos, você continua se divertindo por aí!
Leah


Dear Photograph,
Eu queria saber como você era antes da doença te levar. Eu daria tudo para voltar a este momento e passar o dia todo com você. Espero que esteja orgulhoso de mim.
Love Always, Halle


Dear Photograph,
Espero que ele nunca tenha esquecido destas caminhadas.
Tracy


Dear Photograph,
Este foi o melhor primeiro beijo que eu poderia pedir!
Katy Ann

Lindo! Confira: http://dearphotograph.com
 
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