Au revoir, Brésil!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Malas prontas para as férias, e um dos destinos, desta vez, é a "cidade luz"! 

Esperamos voltar com histórias, boas impressões, ótimas fotos e lindas recordações!

"O pior naufrágio é não partir.” (Amyr Klink)

Das dedicatórias

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Eu te dedico este rascunho amassado pelo tempo, ainda inacabado, com algumas marcas de folheio, feitas pelas idas e vindas das páginas por entre meus dedos, e as folhas em branco que compõem o grande volume ainda a ser encadernado. Porque você me ajudará a escrevê-las...

Arte no corpo!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


Por mais que uma sociedade se sinta moderna e "pra frentex", ela ainda olha com desdém, ou com um pouco que seja de preconceito para as pessoas tatuadas. Os religiosos veem como uma violação do corpo, os médicos como uma agressão e o nosso vizinho como marginalização. Eu vejo como arte. 

É assim também que os curadores da exposição "Na pele: grupos que se comunicam e identificam pela tatuagem" as veem. Agora, a história da tatuagem ganha uma exposição em São Paulo, na Galeria Olido, e vai contar a história e as curiosidades sobre esta arte.

Ficha Técnica:
Curadoria: Paulão Tattoo e Ricardo Vidal
Diretor Artístico/Produtor Executivo: Sebastião Braga
Produtora Artística: Jana Dalri e Patricia Martins de Lima
Diretores de Fotografia: Francisco Orlandi Neto e Gustavo Ceratti
Editora: Nina Kopko
Pesquisa/Jornalista: Heitor Flumian
Assessoria de Imprensa: Paula Vianna

Serviço:
Galeria Olido - 16 de agosto a 14 de dezembro
Av. São João, 473 - República São Paulo, 01035-000, Brasil (0xx)11 3331-8399
Horário: De terça a Sábado, das 13h às 20h e domingo, das 13h às 19h
Entrada gratuita

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/galeria_olido/

Refletindo...

domingo, 5 de agosto de 2012

"Eu sou. Mas o que sou tão pouco é (...)

Falta ver, se é que falta, o que serei:
um rosto recomposto antes do fim,
um canto de batráquio, mesmo rouco,
uma vida que corra assim-assim."

                          (José Saramago)

Paisagem XXI - Desencanto em Paraty

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O homem que dirige a carroça conduzida pelo cavalo quebra o encanto da paisagem à beira-mar. O cavalo sangra, mas obedece. O homem não sangra, e muito menos se importa. Parado e pacífico, o cavalo aguarda o homem que lhe tira o peso das costas. Apressado e suado, o homem enrijece os músculos enquanto o cavalo relaxa. Ambos estão cansados, mas o homem não sangra. O que aconteceu com este homem que o deixou insensível à dor do animal, seu ajudante de todos os dias? O cavalo sangra enquanto aguarda a próxima ordem, pois deve obedecer ao seu dono. O homem e seu cavalo quebram o encanto da paisagem à beira-mar, e parece que só eu me importo.

Fotografando o espírito

quinta-feira, 19 de julho de 2012

E se as fotografias pudessem captar o nosso estado de espírito? O designer gráfico e artista espanhol Nacho Ormaechea faz montagens com  pessoas anônimas fotografadas pelas ruas, substituindo suas imagens pelo seu suposto estado de espírito. Nas fotos, vemos imagens ensolaradas em pessoas inseridas num cenário de inverno, e imagens nubladas em pessoas representando um estado de espírito mais taciturno, seja qual for o motivo do fotografado. É preciso sensibilidade e percepção do outro, para se pressupor o estado de espírito de uma pessoa. Às vezes deixamos tudo muito nítido, e o que o artista faz é exteriorizá-lo de uma forma muito criativa!
O artigo original é de Margarete MS, publicado na Obvious!




Mundo, mundo, vasto mundo... Considerações sobre a FLIP, sobre Paraty e sobre pessoas cultas e que se dizem cultas

quarta-feira, 11 de julho de 2012



Você acorda com o sol entrando por entre as frestas da janela da pousada estilo colonial em que está hospedado, toma o seu café da manhã, confere o programa e parte pelas ruas de pedra da histórica Paraty para a primeira palestra do dia. Antes, uma olhadinha rápida no mar que se estende por detrás da tenda gigantesca, que só não é tão grande quanto o azul do mar. Este é o clima da Festa Literária Internacional de Paraty. E, a meu ver, este é o clima ideal para se discutir literatura e arte. E arte é o que não falta: artesanatos indígenas, pinturas, ateliês, autores independentes, declamação de poemas a 1 real, etc. Paraty transforma-se num grande circuito de arte.

Esta foi a décima edição da Festa e a primeira que tive a oportunidade de participar. Presenciar conversas de autores sobre seus livros e temas dos mais variados, desde política até flanêrie e criação de personagens, foi uma experiência muito interessante e importante enquanto um dos instrumentos de trabalho de uma pessoa formada em Letras, a literatura.  

O público também é do mais variado: professores, doutores, economistas, ou, quem sabe, engenheiros e matemáticos, vai saber, a FLIP é democrática. Também entre estes misturam-se os cultos, os poliglotas, ah, e também os barraqueiros e os “cultos” furadores de filas de autógrafo. Também incluem-se os “cultos” que têm casa em Paraty e, portanto, conseguem os melhores lugares nas melhores mesas, mesmo que o assunto não lhe importe nem um pouco, o importante é ter uma casa em Paraty. 


Paraty também fica glamourosa nas jovens que se aventuram com saltos agulha pelas ruas de pedra, nas senhoras elegantemente vestidas para as palestras noturnas, e escuta atentamente um autor que insinua que sua obra e seu sucesso nasceram acidentalmente, e que o mais importante é observar os pássaros (Jonathan Franzen). Ainda bem que autores como Alejandro Zambra, Teju Cole, Ian McEwan e Jennifer Egan elevam o patamar das discussões e mostram, com grande profissionalismo e inteligência, que literatura é feita de estudos, reflexões, background cultural e muitas outras coisas mais importantes que glamour e piadinhas sem graça.


Quer um ótimo roteiro para aproveitar o melhor da FLIP? Acorde cedo, tome um ótimo café da manhã, saia devagar, apreciando a arquitetura de Paraty, assista à primeira palestra. Logo após, procure o mar, e procure a mesa sob a sombra mais convidativa, peça uma cerveja, e beba, em frente ao mar. “O resto é literatura.” *

*Frase de Alejandro Zambra em Bonsai. 

Atrás das cortinas...

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Às vezes não basta ficar esperando, é preciso puxar as cortinas e ver o que a vida te reserva... 

Acabei de abrir as minhas. O resultado? Depois eu conto! ;)


O Flâneur do século XXI

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Foto: Silke Schüle

Um dia desses, quando estava a caminho de um compromisso para o qual cheguei horas mais cedo, sentei-me num banco e abri o livro que trazia comigo. Mas eu não queria ler. Então, limitei-me a apenas sentar e observar as pessoas que passavam. Isto me trouxe à mente, de repente, o conceito do Flâneur, que aprendi nas aulas de literatura através das figuras inesquecíveis pintadas por Baudelaire e Poe, e estudadas pelo alemão Walter Benjamin. Estaria eu praticando a arte de "flanar"?

Mais tarde, ao chegar em casa, fui ler um pouco do que havia sobre essa figura especial e tão inspiradora nascida da Paris do século XIX, e encontrei um texto chamado "A segunda morte do Flâneur".

O primeiro Flâneur "morreu" depois da transformação total da antiga Paris do século XIX, com a construção das grandes praças, o crescimento do tráfego de automóveis, a construção das grandes lojas de departamento, o embrião da vida nas grandes cidades como hoje conhecemos.

A partir do final do século XX, o artigo sugere o aparecimento de um novo Flâneur: o Flâneur cibernético, ou da internet. Ele surge juntamente com o boom da internet nos anos 90, como um explorador de novos ares, que navega despropositadamente pela web em busca de inspiração e coisas interessantes. Mas, este segundo flâneur também não consegue sobreviver e, segundo o artigo, também sucumbe à modernidade.

"Transcendendo sua brincalhona identidade original, a rede não é mais para passear - virou lugar de cumprir tarefas. Ninguém mais navega. A popularidade dos aplicativos - que conduzem àquilo que queremos sem que seja necessário abrir o browser, faz do flanar on line algo cada vez menos provável." [Trecho do artigo].

O artigo ainda aponta os monstros da web, google e facebook, como os maiores inibidores do ato de flanar, pois estes dois sites têm como objetivo uma "socialização" geral e até exagerada do conteúdo que circula pela web, não permitindo mais que se possa fazer coisas individualmente.

Apesar de ser um texto extremamente interessante e que nos coloca em posição de reflexão sobre este possível (porém, já falecido) flâneur cibernético, ainda acredito que haja flâneurs (físicos) espalhados pelas grandes metrópoles, no meio dos carros, dos edifícios cinzentos, ou mesmo do calçadão de uma bela praia do Rio de Janeiro, ou tranquila da Bahia, por exemplo. O Flâneur moderno talvez não tenha consciência do ato de flanar, mas provavelmente ainda o faz porque o espírito observador, curioso e perspicaz do Flâneur já se encontra dentro dele.


 

Dos dias e das horas

domingo, 17 de junho de 2012

Ela caminha pela extensa Avenida Paulista, o coração da selva de pedra e seu cartão postal, local de gente descolada, dos engravatados apressados e dos turistas impressionados. Mas ela não se impressiona. A paisagem lhe é comum, as pessoas é que nunca são. Porque, se você reparar bem, elas nunca serão as mesmas, ainda que passem pelo mesmo lugar, à mesma hora todos os dias. Porque, se você perceber, os dias e as horas nunca serão iguais, por mais monótonos que pareçam: um encontrão seguido de um pedido de desculpas no metrô, um mulher de vestido vermelho que irrompe no restaurante na hora do almoço, a hora extra inesperada para estragar o seu descanso. Porque, se você reparar bem, tudo é sempre diferente, assim como a água que corre no rio nunca será a mesma num determinado ponto do percurso.
 
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