E agora, Alice?

domingo, 27 de setembro de 2009

Três caminhos abriram-se frente à Alice.
Não escolher, como diz o filósofo, ainda é uma escolha.
Esta é a condição do livre arbítrio a qual todo o ser humano está fadado.

O primeiro caminho é familiar, tranquilo, monótono, e não oferece nada além do que já existe.

O segundo caminho é arriscado, uma aventura pelo desconhecido em busca de mudanças, mas mudanças não-radicais.

O terceiro caminho é bonito, iluminado, e oferece possibilidades além do que Alice imaginara, radicais, mas exige abandonos e renúncias.

Alice acha que o que ela conhece não é o suficiente. Mas Alice não sabe se aventurar pelo desconhecido e tem medo de mudanças radicais. Alice não consegue abandonar coisas, mas Alice não consegue viver na estaticidade.

Lá fora, ao longe, vem se aproximando o Coelho Branco; "e agora, Alice, diga-me: qual caminho seguirá?".

Primavera

sexta-feira, 25 de setembro de 2009



24 de setembro de 2009...

Mais uma primavera para a coleção! :)

Para as almas

domingo, 20 de setembro de 2009

Quero escrever um Ofício pelas almas modernas, mas um Ofício branco, sem rima, para ser cantado com a mesma tristeza e força. É um Ofício para ser sussurrado baixinho, para não acordar as almas que dormem o sono profundo em busca de paz.


Quero escrever um Ofício pelas almas que vagam pelas ruas de São Paulo, pelas almas sedentas do Nordeste e pelas afogadas do Sul; pelas almas escravas do Pelourinho e pelas que vagam num mundo de injustiças sem fim.


Quero escrever um Ofício das Almas Modernas.


"Ouvi meu bom Deus

O deprecatório

em favor das almas

lá no purgatório."

(trecho do Ofício das Almas)

Sobre dignidade

quinta-feira, 17 de setembro de 2009


O policial pede para que o motoboy encoste sua moto. A entrega vai atrasar, mas não importa. "Mãos na parede". Ele abaixa a cabeça e abre as pernas.
O policial revista o rapaz sem rosto, enquanto os outros dois vigiam a rua movimentada. O ônibus para cheio de olhos para o acontecimento da calçada.
O rapaz continua sem olhos e sem rosto.
Enquanto isso, o Palio vermelho, metálico, com teto solar, passa sorrindo pela avenida, desfilando delinquência impunemente.
"Pode ir, moço, tá limpo! Mas deixe aqui a sua dignidade, por favor..."
E o jovem sem rosto volta para o seu trabalho.

Questão de estilo!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009



Ontem à noite, durante a aula, meu professor disse que nós, seres humanos, somos um texto sempre em construção.

Desculpe, professor, mas eu sou Poesia! :-)

Sobre ventos que passam

domingo, 6 de setembro de 2009

Há ventos que passam deixando o rastro de um forte perfume pelo ar, e o cheiro permanece por tempos e tempos, e com ele a lembrança...

Depois, uma leve brisa limpa o ar, e do rastro forte, sobra apenas uma fragância suave, quase imperceptível.

Daí surge uma ventania confusa, transtornada, provavelmente vinda do Atlântico Norte, quente como o verão, e o cheiro que fica no ar é o cheiro que você quer guardar na caixinha, juntamente com as outras coisas boas. Mas você se esquece de que não se pode guardar o vento, e ele se dissipa novamente.

A única saída, então, é olhar para o céu e esperar pela próxima corrente... que traga o cheiro de volta.

Considerações sobre o mundo, vasto mundo!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009



1. Chegando na Alemanha:
"Os alemães são simpáticos, atenciosos, organizados, e sempre muito educados."
2. Após um esbarrão no meio de uma rua em Berlim:
"Os alemães são estúpidos e não têm educação!"
3. Sobre meu nível de alemão, logo ao chegar na Alemanha:
"Até que eu falo bem, todos me entendem e eu consigo entendê-los!"
4. Sobre o meu nível de alemão, chegando em Berlim:
"Eu não falo alemão! Eu não entendo alemão! Eu nunca conseguirei aprender alemão!"
5. Opinião de um garçom tunisiano sobre o meu alemão:
"Você fala alemão muito bem!"
6. Opinião da moça do hotel sobre o meu alemão:
"Se eu não fosse alemã nunca conseguiria aprender alemão!"
7. Minha opinião sobre o alemão de uma ucraniana que dividiu quarto comigo:
Ela tem sotaque russo, bem feito!
8. Opinião da minha professora durante o curso:
Ela não disse nada porque não entendeu nada do que eu falei!
9. Sobre universitários e mochileiros:
Os mochileiros são infinitamente mais legais que os universitários. Ponto!
10. Sobre felicidade:
Os mochileiros são infinitamente mais felizes que os universitários. Ponto! (quero ser mochileira!)
11. Sobre baladas:
As do Brasil são melhores!
12. Sobre gente esquisita:
Berlim ganha de São Paulo em quantidade de gente esquisita por metro quadrado e pessoas carentes por um sorriso "do nada" (adorei!!! rs).
13. Sobre berlinenses:
Existem berlinenses em Berlim??? Onde? Só vi turistas!
14. Sobre verão europeu:
37°, sensação térmica de 55°...
15. Sobre Döner Kebap (sanduíche típico turco):
A princípio fiquei com nojo, mas depois comi, nao tive muita escolha! rs
16. Balanco geral:
Quero tudo de novo!!! :) rsrs

...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009


O céu sobre Berlim também é rosa...

(Der Himmel über Berlin ist rosa auch!)

Continua...

Sobre letras e melodias

domingo, 26 de julho de 2009


Foto: Nuno Milheiro

O que é mais importante para você: a letra da música ou sua melodia?

Estas são apenas algumas palavras sobre um trabalho que li na internet, de Karinna Alves, intitulado "Harmonia em O nascimento da tragédia, de Nietzsche".

Digo que são apenas algumas palavras porque ainda não li esta obra do filósofo, mas o trabalho da moça discute um assunto muito interessante, que é a relação entre a musicalidade e a poesia.

Por que alguns poemas fixam seus versos em nossa memória mais facilmente que outros? Por que algumas músicas possuem letras horríveis nos fazem cantarolar? Por que letras boas que recebem melodias estranhas não conseguem nos impressionar?

Segundo o trabalho de Karinna, em Nietzsche, a música antecede a palavra, e possui um grande poder de influência sobre esta.

O poeta, então, ao trabalhar com ritmo, rima, estrofes harmonicamente perfeitas, cativa o leitor através da sensibilidade da música, e os versos, quando apreendidos por este sentido do leitor, fixam-se na memória como nossas músicas preferidas.

Nunca estudei música, e acho que a palavra tem sua importância (fundamental, aliás) na mensagem que esta passa através de suas melodias harmoniosas, mas acredito, sim, que este "sentido musical" nato nos leitores de poesia ou apreciadores de literatura, seja essencial em nosso julgamento do que é bom ou ruim quando nos referimos a estas formas de arte.

Aqui está um trecho muito interessante do trabalho:

"(...) a melodia é primeira a qualquer coisa, universal, podendo suportar múltiplas objetivações. Com isso, assinalamos o fato da palavra ser subordinada à melodia e, desse modo, esta é a mais importante e necessária na apreciação ingênua do povo. É ela que esta intimamente conectada à memória, ou seja, pela melodia é que se torna uma poesia fácil de ser decorada, principalmente pela sua forma estrófica e por seus estribilhos. (...) Nietzsche fala desses flashes de imagens, gerados pela música, como um processo de 'descarga' da música, onde, na canção estrófica popular, a linguagem verbal é levada a um estado de exaltação a partir do movimento de mimetização da melodia. E, assim, o compositor é nomeado o poeta do som: criador de imagens ou representações similiformes a partir da melodia primogênia da música."


A partir de hoje, as Mil Almas estarão de férias.

Voltamos em setembro, espero que com mil novas e boas histórias!
Auf Wiedersehen!


 
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